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terça-feira, 15 de abril de 2014

Salada de arroz que a vovó Jura fazia

Poxa... o tempo... esse danadinho passa rápido... e eu, ultimamente com um tempo curtinho pras postagens no blog, não levo mais às ondas da RádioCom as receitas culinárias em viva voz e a última receita foi em dezembro, pensando e desejando a todos um Feliz Natal! Já estamos em abril....rsrs... Hoje, trago essa receitinha que já estava aqui, perto da Farofa de frutas, nos arquivos, mas, aguardava finalização. Como ela existem outras e aos poucos vou retomando, agora que me volto à escrita. Tenho estudado(estou cursando o Mestrado) e pensado muito nas imagens que essas receitas sempre me trouxeram e trazem, além de todo prazer que encontrei em relembrar e imagino que também em comer!
A imagem que me vem à memória quando lembro dessa receita de Salada de arroz é assim:
A cozinha tinha azulejos azuis, a bancada da pia era alta em mármore cinza, ao lado, havia um armário em metal, da Itatiaia, com 4 portas azuis e aquele espaço com duas portinhas de vidro onde guardávamos os copos e as xícaras (a memória é tão nítida, que posso ouvir o fechar e abrir daquelas portas) ali, naquele armário vovó também preparava os pastéis, sobre a parte de fórmica, que ela limpava com álcool antes de salpicar farinha em cima... voltando à receita de salada de arroz, lembro-me dela e minha mãe cortando e picando azeitonas, pimentões e o presunto apoiadas nessa bancada da pia e elas iam colocando os picadinhos numa vasilha oval de plástico vermelho, era ali que a mistura se dava, ali elas temperavam com o vinagre, o sal e a salsinha, por último colocavam o arroz. Faziam essa receita em ceias de Natal, como a Farofa de Frutas, mas você pode fazer quando quiser e pode trocar ingredientes, colocar outros, afinal, receita é assim; sempre inventada, reinventada, igualzim à memória...

Receita de Salada de arroz

Ingredientes:
2 xícaras de arroz integral preparadas de véspera
200 gramas de presunto de peru defumado
100 gramas de azeitonas pretas picadas
100 gramas de azeitonas verdes picadas
1 pimentão verde médio
1 pimentão vermelho médio
Um punhado de salsinha fresca
Suco de meio limão
2 colheres de sopa de vinagre de vinho branco
Sal a gosto

Modo de fazer:
Prepare o arroz integral de véspera, deixando-o mais firme e solto. Ele precisa estar frio para acrescentar os ingredientes. Lave bem os pimentões e pique em cubinhos pequenos. Pique também as fatias de presunto de peru defumado e as folhas de salsinha fresca. Vá colocando aos poucos todos os ingredientes, misturando ao arroz. Coloque um pouco de vinagre e o suco de meio limão. Mexa devagar, prove e se achar necessário acrescente um pouco de sal. Decore com um ramo de salsinha. Se quiser, pode acrescentar um pouco de gergelim torrado por cima.
Esta receita e a de farofa de frutas saíram junto com o texto: O sabor do passado de Jussara Lautenschlager no Jornal Diário Popular, dia 22 de dezembro de 2013. Se quiseres ler a matéria completa, dê uma olhada no link:
http://www.diariopopular.com.br/tudo/index.php?n_sistema=3056&id_noticia=Nzc4MTM=&id_area=MA==

Essa imagem abaixo foi no dia da visita da jornalista, montamos o prato e organizamos um pouquinho a mesa.


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Receita de Bem Viver - BOM DIA!

Hoje a receita que levei ao ar na ondas da RádioCom é uma receita poética, de bem viver e bem sentir. Na minha casa, ela fica pendurada na cozinha e é uma receitinha importante pra vida da gente ser diariamente mais saborosa. Diz assim:


RECEITA DE BEM VIVER


Ingredientes:

1 quilo de amor
1 dúzia de felicidade
3 xícaras de afeto
500 gramas de tolerância
200 gramas de compaixão
100 ml de carinho
1 pitada de sensibilidade

Misture tudo, deixe dobrar de tamanho e reserve.

Recheio:

1 xícara de alegria
200 ml de humor
1 colher bem cheia de ternura
100 gramas de delicadeza

Misture bem devagar e reserve.

Cobertura:

1 dúzia de sorrisos
1 pitada de luz

Coloque em fôrma untada com sonhos, recheie e ponha a cobertura. Asse no forno da vida a 380 graus por uma eternidade, de preferência, e pronto. Saboreie bem devagar e viva gostosamente Feliz.

Bom dia!

P.S.: este texto é da Aurora Boreal, de Belo Horizonte, Minas Gerais

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dia mundial do Livro - Enloucresça - Drummond








"Enloucrescer.
Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passa debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de conto de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria. Se você não tem namorado(a) é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido."
 


Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 7 de março de 2012

Arroz com açafrão, camarão e gergelim


Iniciando minha singela colaboração semanal na Rádiocom 104,5FM, aqui em Pelotas, Rio Grande do Sul. As receitas culinárias que entravam no programa nativista da manhã com o Rádiocompanheiro José Luiz as terças e quintas eram gravadas e este ano, vou" fazer ao vivo" sempre as quartas-feiras por volta das oito da manhã. Com essa mudança, será ainda mais gostoso levar dicas e receitinhas para as/os ouvintes. É sempre um prazer partilhar um boa prosa ao vivo na Rádiocom, inda mais com o Zé Luiz e falando de comida!
Hoje a receita que foi ao ar é para dar mais sabor e cor ao arroz nosso de todo dia e também para aproveitar a boa safra de camarões e o bom preço desse crustáceo que encontramos com fartura nesta época do ano, na colônia Z-3 e Praia do Laranjal.
Para nos inspirar a colorir, me lembrei de um texto literário muito bonito, trecho de um livro que gosto bastante: O livro de Zenóbia, de Maria Esther Maciel. Zenóbia é uma personagem que gosta das coisas simples, tem desejos curiosos e sonhos também. Traz na memória as brevidades, roscas de trança, bolos de cenoura, herança da avó. Zenóbia também gosta de receitas, temperos, flores e listas. Já citei este livro aqui no blog outras vezes, meu encantamento perdura. Cá está o pequeno trecho:


Zenóbia sabe que o lugar de nosso nascimento estará conosco até o fim. Por isso ela carrega na pele a cor de sua terra e sempre que experimenta uma fruta amarela, a memória lhe traz o gosto da manga e da laranja que lhe deixou a infância. Ou o fulgor cromático do açafrão moído e das espigas de milho perdidas no horizonte. Nas cores de seu ontem, ela sempre se encontra com as coisas que ama.

O arroz com açafrão, camarão e gergelim é muito simples de fazer:

Você vai precisar de:

1 xícara de chá de arroz branco
1 xícara de chá de camarão médio limpo e temperado com sal e limão
2 xícaras e meia de chá de água fervente
1 colher de sopa de açafrão em pó
1 colher de sopa de gergelim
1 colher de sopa de óleo de canola 
1 colher de sopa de tempero tipo alho e sal

Modo de preparo:

Refogue  o óleo com o tempero em fogo baixo, coloque o arroz, o camarão e o açafrão. Misture um pouco e em seguida acrescente a água fervente. Mexa mais uma vez e prove se está bom de tempero. Tampe a panela, mantenha em fogo baixo e deixe cozinhar. Acompanhe o cozimento, olhando de vez em quando e acrescente mais água quente se for necessário. Ao final, salpique a colher de gergelim por cima do arroz e sirva acompanhando um peixe grelhado e uma boa salada de folhas e legumes crus!
Bom apetite!

P.S: pode-se usar também o arroz integral, basta colocar mais água.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

um pouco de literatura mineira

A escrivã na cozinha


Só Deus pode dar nome à obra completa
— de nossa vida, explico — mas sugiro
Ao meio-dia, um rosal,
implica sol, calor, desejo de esponsais,
a mãe aflita com a festa,
pai orgulhoso de entregar sua filha
a moço tão escovado.
Nome é tão importante
quanto o jeito correto de se apresentar a entrevistas.
Melhor de barba feita e olho vivo,
ainda que por dentro
tenha a alma barbada e olhos de sono.
Sonhei com um forno desperdiçando calor,
eu querendo aproveitá-lo para torrar amendoim
e um pau roliço em brasa.
Explodiria se me obrigassem a caminhar por ele.
Ninguém me tortura, pois desmaio antes.
A beleza transfixa,
as palavras cansam porque não alcançam,
e preciso de muitas para dizer uma só.
Tão grande meu orgulho, parece mais
o de um ser divino em formação.
Neurônios não explicam nada.
Psicólogos só acertam se me ordenam:
Avia-te para sofrer — conselho pra distraídos—,
cristãos já sabem ao nascer
que este vale é de lágrimas.

Adélia Prado

Extraído do livro A duração do dia, Editora Record – Rio de Janeiro, 2010.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Como água para chocolate



Já escrevi sobre este livro/filme aqui. Escrevo novamente para divulgar uma proposta interessante de Cineclube aqui em Pelotas que estou participando com o Coisdivó - Artes e Afetos. Nome do ateliê em Minas que estou trazendo pro sul com as novas produções em torno da memória, da culinária e da literatura.

O Cineclube1968 é um grupo de coletivos de Pelotas que tem se reunido periodicamente para dar força ao movimento cineclubista na cidade, possuindo curadorias de diferentes atuações e espaços alternativos de exibições. Denominado “Cineclube 1968”, referindo-se a um ano marcante e revolucionário, o cineclube teve duas primeiras exibições em agosto e segue com a terceira exibição, no próximo dia 10 de setembro exibindo:

“Como água para chocolate”. A expressão quer dizer: água a pique de ferver ou alguém a pique de explodir. Este livro, dividido em doze capítulos, tem um subtítulo original que adoro: Romance em fascículos mensais com receitas, amores e remédios caseiros. A narradora nos conta uma trágica história de amor através da cozinha. Vai descrevendo o modo de preparo dos pratos e contando as histórias, envolvendo as personagens. É como um conto de fadas, cheio de tramas impossíveis e românticas, girando em torno da comida, seus cheiros e sabores.

A autora é Laura Esquivel, a obra virou best seller e o filme mexicano de mesmo nome foi sucesso nas telonas, sendo premiado no festival de Gramado em 1993. Este filme será o primeiro da Curadoria do Coisdivó no Cineclube1968. O Coisdivó irá propor dentro do Cineclube1968, a temática em torno da literatura e da gastronomia e a escolha desse filme não poderia ser mais apropriada, um filme baseado em um livro que traz receitas de cozinha.

Foi a partir do encontro com esse livro e dos capítulos iniciados por receitas tradicionais de família que preparei a minha edição do Memória Culinária; Coisa de Vó. Por isso, foi com muito carinho que escolhi e farei a exibição desse filme e logo após a exibição poderemos conversar degustando um gostoso chocolate quente.
Sintam-se convidados a comparecer neste sábado as 17:00 no Sindicato dos bancários que fica na Tiradentes 3087 entre Santa Tecla e Deodoro. A sessão do Cineclube1968 é gratuita. Garanta seu lugar chegando um pouquinho antes. O espaço comporta apenas trinta lugares. A exibição se dará as 17:00.




Segue uma citação que gosto muito e está no Memória Culinária: Coisa de Vó junto da receita de torta de cebola que minha mãe preparava na minha infância, uma homenagem à ela e à Tita, protagonista da obra, que chorava tanto ao cortar cebolas que as lágrimas viravam sal e temperava as comidas.

Gertrudis cerraba los ojos cada vez que daba um sorbo a la taza de chocolate que tenía frente a ella. La vida sería mucho más agradable si uno pudiera llevarse a donde quiera que fuera los sabores y los olores de la casa materna.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

OFICINA DE CRIAÇÃO LITERÁRIA

A programação de lançamento do primeiro Festival de Inverno de Pelotas, já está quase no final. São exposições, saraus, shows, apresentações teatrais e oficinas. Toda a programação com preços populares e em vários locais da cidade.
Então, a oficina que propus, de Criação Literária já está acontecendo e compartilho um pouquinho da literatura lida durante a tarde de hoje. Amanhã tem mais!
Do livro: Memórias Inventadas de Manoel de Barros, poeta que encanta.

IX - O apanhador de desperdícios

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras fatigadas de informar.
Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão
Tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
E aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado pra gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática
Eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios



Oficina de Criação Literária – Escrever com prazer: estimulando nossos sentidos.
Dias 09 e 10 de agosto, de 14:00 as 17:00, no Instituto Leda Bacci – Felix da Cunha, 857 – Pelotas.
Mais informações no blog: festivaldeinvernodepelotas.blogspot.com

domingo, 31 de julho de 2011

hoje plantei amor



Amor-perfeito. De cores variadas: amarelo ouro, lilás, branco e um na cor vinho. O dia amanheceu bonito, céu azul com nuvens bem feitas, branquinhas. Apesar do céu azul o clima está bem frio por aqui mas, saí animada para caminhar e decidida a comprar mudas de flores pra esse vaso grande que fica na varanda e nos últimos tempos estava bem feinho, só com trevos. Esse vaso já existia aqui quando compramos o apê, tinha uma folhagem bem velha que subia pela parede, poucas folhas e muita raiz exposta, precisando mesmo de um cuidado. Mantive uma raiz, cortei as folhas secas e a que subia pela parede, afofei a terra e nada mais fiz. Os trevos brotaram, parece que as batatinhas ficam esperando uma mexida na terra pra brotar. E o vaso ficou ali, esquecido na varanda. De vezenquando a gente jogava uma água e uma folhagem miúda resistia a nossa falta de atenção.
Cheguei de Minas Gerais com ânimo novo, apesar de estar sem voz e tossindo um bocado, consequência de um clima seco que encontrei por lá, umidade do ar em torno dos 20%, diferente da que já estou me acostumando aqui em Pelotas, que é uma cidade bem úmida, chegando a 80%. Enfim, estou me cuidando com muito própolis, mel, xarope e chás de guaco.
Agora o sol já se foi da varanda, ele passeia por aqui(quando as nuvens não aparecem) pela manhã e fica até a uma e meia da tarde, penso que o amor-perfeito vai gostar desse solzinho diário. A violeta que temos e fica na área de serviço onde também bate sol, tem gostado bastante, olha só como está florida! Fico encantada com ela, com o brilho que possui em suas flores brancas. A natureza é tão perfeita, tão inspiradora! Olho pra ela e suspiro, sou mesmo uma boba, romântica demais uns devem pensar, mas, não consigo passar por ela e não me encantar com a sua beleza natural.
Adoro as flores!

Todas as pessoas no mundo deveriam um dia colocar a mão na terra e sentir o cheiro quando a viramos e reviramos, tatear suas texturas diversas, enxergar os váriados tons. Lidar com a terra é uma sensação boa, única!
Um bom início de semana a todos!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Rosa Guimarães



"O senhor ... Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão."

João Guimarães Rosa
Grande Sertão Veredas



sexta-feira, 29 de abril de 2011

Uma palestra

Acabo de chegar em casa após uma palestra. No recinto lotado com pessoas em pé, pelos corredores, gente no segundo piso só a ouvir pelas caixas de som, sem ver o palestrante. Mais ou menos 180 pessoas. Atentei pra uma coisa, oitenta por cento, mulheres. Pensei: é interessante observar isso, nós estamos tão ávidas, tão atentas assim por uma palestra, uma audição? Não, não pensei tudo isso, isso digo aqui, quero dizer, escrevo agora, o que disse foi: Nós, mulheres, estamos tão mais presentes e atentas, não é? Muito burburinho, muita conversa, até que a presidente da mesa pediu que fôssemos nos aquietando para darem início a palestra. Vagarosamente o silêncio aconteceu. Ele começou agradecendo a presença de todos e foi tirando de sua boca uma poesia linda, linda:

Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu...
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.

Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.


Mário Quintana, poeta das terras de cá. Os olhos já me enchiam de lágrimas...

E palestrou, palestrou...conflitos e desafios da modernidade, sim, estamos acelerados, sim, compramos mais do que necessitamos, sim, temos mais do que precisamos, fazemos cinco coisas ao mesmo tempo e ao final do dia, alguma coisa ainda ficou pra amanhã, sim, temos muito pra ser felizes e não somos. Pensei: desculpe-me, mas, eu sou feliz e agradeci por ser e estar ali ouvindo aquela palestra. Ouvir.
É necessário estar atento para mudar, é necessário caminhar junto com o tempo, com o nosso tempo, aquele em que se está inteiro, uma coisa de cada vez, e não nessa superficialidade e fugacidade. Precisamos de mais silêncio, estamos num mundo cheio de barulhos, ruídos. Que ironia, no mundo moderno, tão avançado, temos tecnologia pra nos facilitar a vida e ganharmos mais tempo, mas, não temos tempo...não dá tempo, estamos sempre atrasados... Ele palestrou, palestrou, fez citações diversas: onde desenvolve-se o amor não há medo... Olhai os lírios do campo...

Falou também dos excessos de alimentação, da necessidade biológica de prestarmos atenção aos sinais que o nosso corpo nos dá, de digestão e indigestão, de digerir também os pensamentos, dar tempo a eles, falou da necessidade de mudar certos hábitos que não nos fazem bem e insistimos muitas vezes em mantê-los e nos entupimos em remédios, enquanto, se mudássemos os maus hábitos, que nós sabemos quais são, o remédio talvez não fosse necessário. Consciência de cada um.
Uma consciência livre, contou uma história antiga de um rei arrogante e de um sábio bondoso que podia prever o futuro, da maldade humana, dos desenganos, das companhias ruins que estão em uma sintonia diferente da nossa e a gente permanece ao lado e perto delas, daqueles momentos que é necessário estar só consigo mesmo, só pra refletir um pouco, sem nada a fazer, nada mesmo, nada de tv, livro, celular, computador, nada, silêncio e você, um pouco todo dia. Porque não? Você pode.
Porque culpar-se? Porque temer? Nada vem para ti ao acaso. Nada. Tudo tem o seu tempo a sua hora. Aquieta-se. E terminou a palestra soltando de sua boca com firmeza leve palavras de Madre Tereza de Calcutá:

As pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas.
Ame-as mesmo assim.

Se você tem sucesso em suas realizações,
ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos.
Tenha sucesso mesmo assim.

O bem que você faz será esquecido amanhã.
Faça o bem mesmo assim.

A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável.
Seja honesto mesmo assim.

Aquilo que você levou anos para construir,
pode ser destruído de um dia para o outro.
Construa mesmo assim.

Os pobres têm verdadeiramente necessidade de ajuda,
mas alguns deles podem atacá-lo se você os ajudar.
Ajude-os mesmo assim.

Se você der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo,
você corre o risco de se machucar.
Dê o que você tem de melhor mesmo assim.


Bom, depois de escrever tudo isso, preciso dizer algo mais?
Ah, sim, esta palestra nos foi ofertada numa Casa espírita, uma casa fraterna, onde se pretende que as pessoas encontrem acolhimento, amor e um pouquinho de paz.

domingo, 17 de abril de 2011

Encantamento num domingo de chuva

Neste domingão com uma chuva que parece não querer parar, segue uma boa literatura pra aquecer e encantar...

"Em tardes de domingo, sempre muito longas e vestidas de sossego, a mãe se fazia crianças para os filhos.
Ao pé da escada, junto da porta da cozinha, estava o tanque. De cimento cinza, ele guardava a água fria que despencava do morro, escorregando dentro de bambus _ veias cristalinas. A umidade favorecia viver e crescer ali, musgos verdes, tapetes por onde pequenas formigas passavam, arrastando montes de folhas. Mesmo o olhar se sentia acariciado por veludo assim tão fino.
Com anilinas para doces a mãe coloria as águas do tanque, uma cor de cada vez, e mergulhava as alvas galinhas legornes em banho colorido: azul, verde, amarelo, vermelho, roxo. Em pouco tempo o quintal, como que por milagre, era pátio de castelo, povoado de aves _ legornes agora raras_ desenhadas em livro de fadas. Ficava tudo encantamento. Não havia livro, mesmo aqueles vindos de muito longe, com história mais bonita do que as que a mãe sabia fazer. Não era difícil para Antônio imaginar-se príncipe e filho de mágicos.
Quando o dia ameaçava esconder o sol, entre seios e montanhas, aquele inofensivo bando, filho do arco-íris que morava na cabeça da mãe, se empoleirava nos galhos das árvores, bailarinas em carnaval. Antônio olhava os galhos até não poder mais..."

Este pequeno trecho extraí de um livro apaixonante que sempre me vejo as voltas com ele: INDEZ, de Bartolomeu Campos Queirós.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

RECEITA DE BEM VIVER

Cá estamos instalados na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul. É aqui que eu e Dani vamos nos fixar por um tempo. Há oito anos juntos, ainda não tínhamos vivido de fato juntos sob o mesmo teto. Nova vida, novas perspectivas, um novo que soa estranho as vezes, partilhar de coisas e espaços. Tirando das caixas objetos e roupas, encontrei um pequeno banner que vai ficar num lugarzinho na cozinha, com uma receitinha importante pra vida da gente e diz assim:


RECEITA DE BEM VIVER


Ingredientes:

1 quilo de amor
1 dúzia de felicidade
3 xícaras de afeto
500 gramas de tolerância
200 gramas de compaixão
100 ml de carinho
1 pitada de sensibilidade

Misture tudo, deixe dobrar de tamanho e reserve.

Recheio:

1 xícara de alegria
200 ml de humor
1 colher bem cheia de ternura
100 gramas de delicadeza

Misture bem devagar e reserve.

Cobertura:

1 dúzia de sorrisos
1 pitada de luz

Coloque em fôrma untada com sonhos, recheie e ponha a cobertura. Asse no forno da vida a 380 graus por uma eternidade, de preferência, e pronto. Saboreie bem devagar e viva gostosamente Feliz.

Então, tentemos!!

O texto é de propriedade da Aurora Boreal, de Belo Horizonte, que fabrica banners e ímantados artesanais com textos graciosos e delicados como esse, infelizmente, não sei o nome do autor.

domingo, 31 de outubro de 2010

O FAZEDOR DE VELHOS

Estou lendo esta semana um livro que comigo estava emprestado há quase um ano e eu nada de pegar pra ler. Agora a dona dele, uma amiga querida, o quer de volta, para dar de presente ao sobrinho. Diante disso e da fala da amiga, você precisa ler este livro, dei um jeito no tempo e peguei do livro nos momentos livres (coisa rara). Como ele é delicioso de ler, já estou caminhando pro final. O autor, Rodrigo Lacerda, é escritor dos bons e este livro foi premiado com o Jabuti, a indicação de leitura é o público infanto juvenil, mas, qualquer um pode, e deve lê-lo.
É de um encanto simples e uma alegria nas palavras que vou devorando e deixando que ele me devore também. Há partes de muito gosto, sabororas, divertidas, reflexivas, tocantes.(não sei bem se é essa a melhor palavra para definir como me toca o texto)

Compartilho esse trecho do texto que por ontem li: é quando o Pedro, estudante de história, se apaixona pela sobrinha de seu professor, um velho ranzinza que o propõe uma pesquisa sobre a natureza humana começando pelos personagens de Shakespeare. Lembrei-me agora daquele filme Na natureza selvagem, MARAVILHOSO! Mas esse vai ficar pra um outro momento.
Segue o texto pra gente partilhar de boa literatura:

Quando a porta se abriu fiquei impressionado. quem veio atender, definitivamente, não era homem. Era a menina japonesa mais linda que já vi. O seu rosto tinha a suavidade de um mistério bom. Seus cabelos, muito pretos, muito lisos, brilhavam contra a luz. Seu corpo tinha um jeito esguio de se mexer. A graça viva de um arquipélago distante, que eu nem sabia como tinha chegado ali. Não fossem as roupas ocidentais(calça jeans, camiseta e sandália), e o fato dela falar português, eu imaginaria estar diante de uma princesa oriental. [...] _ Vem cá, estou fazendo o almoço. E aí girou o corpo, dando os primeiros passos em direção a cozinha. Fui atrás dessa encarnação moderninha da elegância milenar. Eu já estava encantado. Simples assim.
[...] Ficamos em silêncio. Eu a olhava, embevecido, como se acompanhasse a coreografia de uma bailarina. Ela, nem aí pra mim, preparava a salada. Uma essência feminina que eu não conhecia. Mayumi lavando as folhas verdes, com água escorrendo pelos dedos;cortando os tomates, em rodelas muito vermelhas. E deitando na travessa um fio de azeite, amarelo, luminoso, denso e elegante, como os seus movimentos.


já quase no final do livro, um pouco sobre o título, o fazedor de velhos:

"Por alguns instantes, ruminei a idéia. No final, me convenci. O professor tinha mesmo o poder de nos fazer pensar e de nos fazer sentir coisas estranhas. E conviver com ele dava mesmo a sensação de se estar mais velho".

domingo, 3 de outubro de 2010

Caríssimos,
Saudades de escrever um pouco por aqui. A vida anda numa turbulenta corrente. As vezes tenho a sensação de que o melhor seria subir num barquinho e deixar o rio levar, por outro lado, ando tentando nadar em outros percursos e descobrir outros caminhos, por terra mesmo...as mudanças já estão aí, vindo todas, de casa, de cidade, de estado - civil, de humor, de estar, de ser... líquido, gasoso...as vezes queria poder virar ar e desaparecer um pouquinho.
Então, cá estou de volta em estado sólido, sem muita rigidez na forma, curvas, macias e com algum conteúdo...

desculpem os devaneios de escrita tão necessários por ora

Conto um pouquinho sobre uma exposição que visitei sem saber que ela ali estava. No Museu de Arte da Pampulha. Fui pra assitir o show da Aline Calixto, cantora nossa das Minas, sambista maravilhosa, voz grave, simpatia e alegria puras. E um exagero de minha parte: quase a reencarnação de Clara Nunes! :D
Mas, os ingressos acabaram dez minutos depois de aberta a distribuição. Ok. já estava ali, já tinha cumprido meu dever cívico de votar, vi que havia uma exposição, decidi passear por ela.
Anuncios em jornais, envelopoemas, correspondências, selos, imagens, xerox, livrobjeto, carimbos: PAULO BRUSCKY. Pernambucano, artista, ativista, renomado arquivista, trabalha com diversas mídias, que incluem desenhos, performances, happenings, copy art e fax arte, arte postal, intervenções urbanas, fotografia, filmes, poesia visual, experimentações sonoras e intervenções em jornais entre outras experiências. Vale conhecer o trabalho desta figura.
E se quiserem conhecer um pouco mais sobre Bruscky e outros artistas, no material impresso tem uma dica boa: Galeria Nara Roesler: nararoesler.com.br. Esta imagem tirei de lá, é de 2008, chama-se Ensaios, do Paulo Bruscky. Ah, na bienal de arte deste ano ele também está.

Me diverti a valer passeando por tanta arte impressa, tanta im/expressão. Tanto movimento, quantas buscas e ótimos textos. Resolvi descer, beber uma água pra ir me quando o segurança me olha e pergunta: Tá sozinha? Quer entrar e assitir ao finzinho do show? ôpa,claro!

Pude ainda sambar um pouco ao som de três canções e sentir de pertim a energia alegre de Aline. Que maravilha! A vida é mesmo um rio de águas inesperadas.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago

Morreu hoje aos oitenta e sete anos, o escritor português, José Saramago.
Quando estava cursando Letras, foi a primeira grande obra que li de fato. Sim, porque na Faculdade, destrincha-se a obra e as vezes o deleite passa despercebido. E cá pra nós,nem sempre o que lemos na faculdade nos dá prazer em ler.
Pois Saramago me deu muito prazer: Manual de Pintura e Caligrafia, na época, 2001, foi Silvana Pessoa, a professora que nos trouxe Saramago, pessoa atenta, sensibilidade aguçada e com estudos aprofundados em escritores portugueses. E detalhe: líamos a obra em voz alta em sala. Isso parecia meio ridículo para alguns, cansativo pra outros. Me oferecia sempre pra ler e ao passar das aulas, era somente eu quem lia em voz alta pra todos. Achava tão instigante, uma professora na faculdade que nos propõe ler uma obra inteira em voz alta. Isso não era comum, a maioria indicava as obras pra leitura e pros trabalhos. E as teorias, ai, tantas teorias... Sempre me incomodava com as inúmeras teorias. E a prática? Pra quê isso funciona? Onde isso me serve? Me levam pra onde tantos questionamentos de obras? Tive ótimos professores na Letras, saudades boas, boas recordações.
Interessante relembrar tudo isso, hoje, de volta a escola e já professora de literatura e português, leio muito pros meus alunos e gosto dessa prática. Ler por prazer. Muitos deles ainda não sabem o que é isso, outros, menores, já percebem esse gostinho, o sabor das palavras.
Deixo uma singela homenagem a José Saramago, um trecho de sua obra registrado aqui.
Brinco com as palavras como se usasse as cores a as misturasse ainda na paleta. Brinco com estas coisas acontecidas, ao procurar palavras que as relatem mesmo só aproximadamente. Mas em verdade direi que nenhum desenho ou pintura teria dito, por obras das minhas mãos, o que até este preciso instante fui capaz de escrever, e atrever.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

FELIZ ANO NOVO!!


Que o ano novo seja lindo, cheio de amor e muita luz. Luz para iluminar nossos caminhos e amor para preencher nossos corações, sem ele nada somos.Que 2010 venha ainda mais movimentado, rico em boas ações, boas companhias, bons trabalhos, bons amigos. Que a paz que queremos pra este mundo a gente possa encontrar em cada dia de nossas vidas, dentro de nós e que o amor seja muito e transborde de nossos corações, de nossas mãos para um carinho, um abraço, um afago sincero.
Com muito carinho e amor, Feliz ano novo!
June

sábado, 26 de setembro de 2009

tesouros

Quando tesouros são receitas, eles são menos claros, menos distintivamente lembrados do que quando são objetos tangíveis. No entanto evocam um sentimento tão vívido _ quer dizer, para alguns de nós, que consideram a cozinha uma arte, para nós que achamos que um modo de cozinhar pode produzir algo similar a uma emoção estética. Que mais se pode dizer?


Esta citação retirei do livro: O livro de cozinha de Alice B. Toklas. Um livro com memórias de Gertrude Stein e Alice B. Toklas sua companheira por longos anos e uma cozinheira de mão cheia. Conheci este livro durante minha pesquisa para a monografia e me encantei. Ele é famoso pela receita de bolo de haxixe, que deu muita confusão na época e traz divertidas histórias entremeadas às mais de trezentas receitas.
Vale a leitura.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Como água para chocolate

Este livro, dividido em doze capítulos, todos tem como título uma receita de família. E tem um subtítulo que a-do-ro: Romance em fascículos mensais com receitas, amores e remédios caseiros. A narradora nos conta uma história de amor através da cozinha. Vai descrevendo o modo de preparo dos pratos e contando as histórias, envolvendo as personagens. É como um conto de fadas, cheio de tramas impossíveis e românticas. Por isso gosto tanto dele...rs:)

A autora é Laura Esquivel, a obra virou best seller e o filme de mesmo nome foi sucesso nas telonas, sendo premiado no festival de Gramado em 1993. Curiosidade: O diretor do filme era marido da autora. Valem a leitura e o filme. Não sei se o encontramos em dvd e já sei que há uma tradução para o livro, pela Editora Martins Fontes.

Segue uma citação que gosto muito e está em uma parte do meu livro junto com a receita de torta de cebola da minha mãe, uma homenagem à ela e à Tita, protagonista da obra, que chorava tanto ao cortar cebolas que as lágrimas viravam sal e temperava as comidas.

Gertrudis cerraba los ojos cada vez que daba um sorbo a la taza de chocolate que tenía frente a ella. La vida sería mucho más agradable si uno pudiera llevarse a donde quiera que fuera los sabores y los olores de la casa materna.

Bjus a todos.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Indez

Ai, ai, adoro este livro! A história de Antônio, um mineirinho nascido no interior é delicada por demais. Traz as rezas, os costumes, a comida, fala dos quintais, das crenças, das festas, do amor. É majestosa a sensibilidade de Bartolomeu Campos Queirós. Vale a leitura.
Segue um trechinho pra gente apreciar:

Era silencioso o amor. Podia-se adivinha-lo no cuidado da mãe enxaguando as roupas nas águas de anil. Era silencioso, mas, via-se o amor entre os seus dedos cortando a couve, desfolhando repolhos, cristalizando figos, bordando flores de canela sobre o arroz doce nas tijelas.
Lia-se o amor no corpo forte do pai, no seu prazer pelo trabalho, em sua mansidão para com os longos domingos. Era silencioso, mas escutava-se o amor murmurando - noite adentro - no quarto do casal. A casa, sem forro, deixava vazar esse murmúrio com aroma de fumo e canela, que invadia lençóis e dúvidas, para depois filtrar-se por entre telhas.
Experimentava-se o amor quando, assentados no calor da cozinha - pai e mãe -falavam de distâncias, dos avós, das origens, dos namoros, dos casamentos.
E, quando o sono chegava, para cada menino em cada tempo, era o amor que carregava cada filho nos braços para a cama, ajeitando o cobertor por sob o queixo.


Esta postagem é dedicada aos meus maiores amores: Minha mãe, meu filho e meu marido.

Vocês são tudo em que mais acredito: na família e no amor.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Compartilhar

Recebi esta hoje, é de um horóscopo diário, mas serve pra qualquer pessoa e em todos os dias da vida.

"Recursos se multiplicam se compartilhados. Quanto mais generoso e grato, mais a vida lhe presenteia, é uma equação espiritual. A verdadeira riqueza é a que compartilhamos com os semelhantes, na forma de sentimentos e talentos. Então a abundância material é também possível".

Vamos compartilhar! Carinho, amor, amizade, trabalhos, prazeres, alegria! O carro, a casa, o quintal...rs:)

Ontem fui à feira

registros meus - 2014 - largo vernetti Ontem fui à feira.  Este texto foi escrito em 2014 quando eu ainda vivia em Pelotas e estava guar...