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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Bolinhos, bolinhos... de chuva, de vento, de sonhos, de amor

Me mudei de novo... só de casa, temporariamente, mas, mudei. Uma casa com um rico quintal e uma cozinha nova e maior que a minha no apê, mas, até colocar a casa em ordem para começar os trabalhos na cozinha, vixemaria...demorou... ou, eu demorei. Gosto de praticidade, das coisas, utensílios, potinhos, ingredientes, latas, pacotes, vidros, enfim, todos os apetrechos em lugares de fácil acesso e manejo. Já faz algum tempo que não escrevo aqui. Na cabeça muitos textos já se passaram, alguns foram escritos e salvos mas, não postados. Outros que a memória já apagou e ainda restam aqueles que penso sempre, preciso escrever sobre isso. A verdade é que minha dedicação à escrita extinguiu-se nos últimos tempos e estou saudosa desses momentos. O facebook mudou meu hábito de escrita, reduziu-o e muito. Essa rede social virtual é estranha... e altamente(falsamente?) crítica. Penso muito antes de escrever,  se devo ou não comentar, enfim, daí, acabo por não escrever nada ou pouco. Resta compartilhar com uma carinha, duas palavras e só. Que triste isso... O fato é que hoje, vi uma postagem de um amigo dando adeus ao face e dizendo com outras palavras, mais ou menos isso que digo agora: quero voltar a ter minha liberdade em escrever e cuidar de meus trabalhos. quero ser eu mesma a fazer críticas, do meu jeito, (porque enquanto escrevo também me critico e pondero e mudo palavras, sentidos, direções para onde quero ir com esse texto, mas, não em função do que os outros vão pensar ou dizer) minha espontaneidade e mais, não quero saber o que estão fazendo os outros, quero tocar minha vida sem ter que mostrar nada a ninguém(não era assim que vivíamos a poucos anos?) e não quero saber da vida alheia.  Esta noite, perdi o sono, era tanto o pensar sobre as coisas de ordem prática que perdi. Além de um chato de um pernilongo me zunindo o ouvido(estes têm visitado a casa quase todas as noites, preciso de mudas de citronela para plantar no pátio).

O fato é que há tempos, preciso dizer/escrever que eu amo cada vez mais estar na cozinha, mesmo com todas minhas tarefas como educadora e sonhadora que sou. Sonho por um mundo diferente. Na cozinha, canto, assovio, misturo, embalo, limpo, cuido, preparo, atuo com amor. Escuto carinhosamente de amigos que meus bolinhos são deliciosos,"tudo de bom" e fazem caras boas, me dão sorrisos, abraços, recebo amor.
Essa a verdadeira troca, essa é uma verdade para mim. Só recebemos aquilo que ofertamos. Eu, distribuo amor em forma de bolinhos. (tenho outros modos também de ofertar amor, quem sabe em outro texto eu possa refletir mais sobre isso). Que possamos oferecer mais amor uns aos outros, em várias formas de amor e amar.  Que os ventos de outono possam mudar esses rumos, que outros textos venham, que as chuvas lavem nossas almas cansadas e levem o que não nos serve mais, que a vida se renove, em mim, para o mundo que me cerca.


quinta-feira, 26 de julho de 2012

minha singela homenagem às vovós no dia de hoje, 26 de julho.


Lembro daquelas mãos recheando com pedaços de banana madura os discos de massa, salpicando canela, apertando com um garfo as bordas dos pastéis. A bancada toda enfarinhada, “que é pra não grudar”, dizia ela. A bancada de fórmica que imitava mármore no armário de portas azuis e duas portinholas de vidro, onde guardávamos as xícaras.  Ao rememorar pastéis de banana com canela chego ao lugar deste fazer, a cozinha de nossa casa, uma da minha infância.  Apenas observar era o que eu fazia. Observando eu aprendia, apreendia. Eis o sabor da memória:

Pastéis de banana com canela

Discos de pastel massa redonda

Bananas maduras descascadas

Salpicos de canela sobre as bananas

Feche cuidadosamente com um bom garfo. Aqueça a panela com boa quantidade de óleo. Frite com parcimônia, óleo quente!  Distribua sobre papel toalha branco e depois passe na mescla de açúcar, sal e canela.

Uma colcha com desenhos de morangos cobre a mesa de madeira, descansos de travessas feitos com tampinha de garrafa e lã colorida, já meio surrados, “do dia-a-dia”, esperam pelo calor e o sabor dos pastéis, e as crianças também.  Saudades eternas de minhas avós...


sábado, 15 de outubro de 2011

PARABÉNS PROFESSORES!

Hoje comemora-se o dia do professor. Parabéns é pouco pra desejar a esse profissional, onde também me incluo,um dia especial, um dia feliz, um dia com a sua família, com os seus amigos, um dia de descanso das salas de aula. Esse profissional que a sociedade acredita que deve ser mais valorizado e que o estado brasileiro não o faz. Professores são mal pagos, desrespeitados e desvalorizados pelos governos. Um país onde a educação vem sempre em segundo, terceiro plano, sei lá em que lugar estamos. A ganância desses políticos, banqueiros e empreiteiros não nos deixa desenvolver onde mais necessitamos: na educação. Numa educação para fazer pensar, para fazer sonhar, que os sonhos não envelhecem... numa educação que modifique a realidade desse país. A pequena imagem dos gatinhos é só uma sensação de aconchego, afago e carinho pra nós.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Receita preparada ao amor: Fettuccine a parisiense

Ah, o amor... o amor jovem, cheio de frescor. Ontem, meu filho me fez lembrar do primeiro jantar que fiz pro pai dele quando éramos namorados. Bem simples, foi a primeira vez que cozinhei e coloquei a mesa pra dois. O macarrão tipo espaguete e o molho de tomate comprado pronto...queijo parmesão ralado por cima. Que bom que os anos passam... e a gente aprimora...rsrs :) Lembro-me bem: a mesa redonda da copa, o tapete era verde, as cadeiras em tom acinzentado, havia uma janela comprida que dava pra área, um aparador em fórmica laranja e branco,com quatro portas _ lá minha avó escondia um pote de vidro onde ficavam os biscoitos doces pra visitas.Do outro lado, ficava um carrinho de bebidas; licores, vinhos, algumas taças e enfeites. Eu tinha dezesseis anos.

Eiii mamis...tudiu bem?! Viu que hoje eu ia cozinhar né?! To aqui na Paulinha esperando ela sair do banho para irmos lá pra casa. Fiz coisas que eu nunca tinha feito...só de ouvir as pessoas falando e de já ter visto alguém fazendo...Fiz um fettuccine ao molho parisiense...molho branco feito com leite, maisena, margarina, cebola, presunto em cubos, azeitonas picadinhas e mussarela em cubos! Tá supimpaaa, ela vai amar ao ver lá em casa...chorei tanto ralando cebola...kkkk...comprei morangos, uvas sem caroço e chocolates para fazer um fondue...depois com mais tempo te relato tudo que fiz bunitinho! TE AMO e amo cozinhar por ser "filho de peixe" né?! Beijãooo!

Esse relato é do meu menino lindo que irá completar 24 anos no mês que vem. E que saudades eu estou dele... ai,ai... Filho pra mãe é sempre um menino e num é que ele também gosta de cozinhar? E ainda prepara a mesa, acende velas. Fiquei cheia de alegria quando vi essa postagem dele ontem. E aí, deu vontade de compartilhar com vocês por aqui. Alegria, amor, ternura, sentimentos sempre bons de compartilhar.

O passo a passo da receita imagino ter sido assim:

Fettuccine a parisiense

Coloque um pacote de fettuccine para cozinhar em água com um pouco de sal e um fio de azeite. Enquanto isso, prepare o molho branco.
Rale uma cebola média e chore, porque chorar faz bem e faz parte...rsrsrs. Doure levemente a cebola em duas colheres de sopa de manteiga ou margarina, coloque as azeitonas, o presunto em cubos, misture, acrescente o leitee a maisena dissolvida num pouco de leite, em fogo baixo, continue misturando, coloque uma pitada de sal. Acrescente o creme de leite, deixando separado 3 colheres de sopa para fazer o fondue de chocolate. Misture e desligue o fogo. coloque os cubos de mussarela e misture levemente.
Veja se a massa já está no ponto, al dente e escorra, dê o choque térmico na massa com água fria para parar o cozimento. Misture o molho suavemente em um refratário bem bonito e especial. Sirva com azeite, queijo parmesão ralado e um bom vinho branco.

Eu colocaria também uma pitada de noz moscada ralada. Molho branco pede noz moscada, dá um toque especial.

A lista dos ingredientes:

1 pacote de massa tipo fettuccine
1/2 litro de leite
1 colher de amido de milho
2 colheres de margarina ou manteiga
1 caixinha de creme de leite(separe 3 colheres pro fondue)
1 cebola média ralada
300 gramas de presunto em cubos
200 gramas de azeitonas picadas
300 gramas de mussarela em cubos

A sobremesa: Fondue de frutas com chocolate
300 gramas de chocolate meio amargo, 3 colheres de creme de leite,
uma colher de sopa de conhaque
Derreta em banho maria o chocolate, misture o creme e o conhaque e coloque em um rechaud de cerâmica com vela em baixo para manter o chocolate levemente aquecido. Lave bem as frutas, nesse caso, uvas sem caroço e morangos, deixe de molho por alguns minutos em vinagre e enxague bem.
Coloque em uma travessa e sirva com muito amor, carinho e beijinhos! O amor está no ar!

domingo, 31 de julho de 2011

hoje plantei amor



Amor-perfeito. De cores variadas: amarelo ouro, lilás, branco e um na cor vinho. O dia amanheceu bonito, céu azul com nuvens bem feitas, branquinhas. Apesar do céu azul o clima está bem frio por aqui mas, saí animada para caminhar e decidida a comprar mudas de flores pra esse vaso grande que fica na varanda e nos últimos tempos estava bem feinho, só com trevos. Esse vaso já existia aqui quando compramos o apê, tinha uma folhagem bem velha que subia pela parede, poucas folhas e muita raiz exposta, precisando mesmo de um cuidado. Mantive uma raiz, cortei as folhas secas e a que subia pela parede, afofei a terra e nada mais fiz. Os trevos brotaram, parece que as batatinhas ficam esperando uma mexida na terra pra brotar. E o vaso ficou ali, esquecido na varanda. De vezenquando a gente jogava uma água e uma folhagem miúda resistia a nossa falta de atenção.
Cheguei de Minas Gerais com ânimo novo, apesar de estar sem voz e tossindo um bocado, consequência de um clima seco que encontrei por lá, umidade do ar em torno dos 20%, diferente da que já estou me acostumando aqui em Pelotas, que é uma cidade bem úmida, chegando a 80%. Enfim, estou me cuidando com muito própolis, mel, xarope e chás de guaco.
Agora o sol já se foi da varanda, ele passeia por aqui(quando as nuvens não aparecem) pela manhã e fica até a uma e meia da tarde, penso que o amor-perfeito vai gostar desse solzinho diário. A violeta que temos e fica na área de serviço onde também bate sol, tem gostado bastante, olha só como está florida! Fico encantada com ela, com o brilho que possui em suas flores brancas. A natureza é tão perfeita, tão inspiradora! Olho pra ela e suspiro, sou mesmo uma boba, romântica demais uns devem pensar, mas, não consigo passar por ela e não me encantar com a sua beleza natural.
Adoro as flores!

Todas as pessoas no mundo deveriam um dia colocar a mão na terra e sentir o cheiro quando a viramos e reviramos, tatear suas texturas diversas, enxergar os váriados tons. Lidar com a terra é uma sensação boa, única!
Um bom início de semana a todos!

sábado, 9 de julho de 2011

BEIJUS DE FELIZ ANIVERSÁRIO


Amanhã é dia do meu aniversário e como me mudei há cinco meses e pouco, estou presencialmente bem distante de dois dos meus amores; mãe e filho e de vários amigos. Tive a idéia de ficar no skipe _ uma espécie de ligação telefônica via computador, onde se pode ver a pessoa com quem fala se você possui uma webcam _ e conversar virtualmente com quem quisesse. Daí a idéia cresceu um pouco e ficou assim e foi compartilhada no facebook:

AMANHÃ É O MEU ANIVERSÁRIO E TAMBÉM DE MAIS OU MENOS 20 MILHÕES DE PESSOAS NO MUNDO!
PROPONHO RECEBER BEIJUS VIRTUAIS VIA SKIPE.

UM HAPPENING DE FELIZ ANIVERSÁRIO PARA COMPARTILHAR COM ANIVERSARIANTES DO DIA 10 DE JULHO.

Vai funcionar assim:

Amanhã dia dez de julho, estarei no skipe entre meio dia e duas da tarde. Neste período, meus amigos que queiram participar, me mandam beijos de feliz aniversário. Eu tiro uma foto desse beijo e vou arquivando. Depois das duas da tarde, junto esses beijus numa só imagem(ou várias, se forem muitas) e compartilho por facebook para outros aniversariantes.
Sintam-se convidados para o meu aniversário amanhã! E muitos Beijus!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Chás quentinhos pra esses dias frios...

Essas sugestões de chazinhos, passei pra um novo e bom amigo aqui de Pelotas, Zé Luís, ele é jornalista e locutor na RádioCom, 104,5Fm que dia desses me pediu umas dicas de chás pros ouvintes da rádio na parte da manhã. Com esse frio, vai ser uma boa!
A RádioCom comemorou dez anos em junho e eu tive o prazer de participar dessa festa, levando bolinhos mineiros e um choconhaque divino, onde conheci o Zé Luis que adorou o bolinho de mexerica!
A RadioCom é uma rádio comunitária, construída coletivamente por sindicalistas, trabalhadores, artistas, pessoas que se dedicam à causa da luta pelo direito de cada um poder expressar-se. E eu estou adorando conhecer essa nova turma! Bejus a todos, AnaI, Didi, Vanessa, Zé Luis, Roger, Fábio e outros que ainda não conheço... E cuidem-se nesse frio úmido dessa terra! bebam chá! :)


CHÁ DE LIMÃO

Maravilha da natureza, o limão! O limão cura tudo! Enxaqueca, gripe, coriza, resfriado e muito mais. Prepare um chá de limão. Deve ser feito com um limão cortado em rodelas e meio litro de água. Deixar ferver bem, durante uns quinze minutos, tampar, deixar descansar um minuto, coar e tomar de uma a três xícaras ao dia. Pra dar mais sabor ao chá, adoce com uma colher de mel.
O melhor é não sair no frio após a ingestão do chá. Minha avó dizia que não se deve sair no frio com o peito quente!
E para aquelas pessoas que estão com uma gripe forte, esprema meio limão e misture com uma colher de mel e uma dose pequena de cachaça. Beba a noite antes de deitar. Dá um suadouro de acabar com qualquer gripe! No dia seguinte tu tá novo! Indicado somente pra adultos.

CHÁ DE ALECRIM

Alecrim, seu nome Ros marinus, vem do latim e significa: “ O orvalho que vem do mar”.
O Alecrim é alegria, faz bem ao coração, ao estômago e intestinos. Tira a angústia do peito! Basta colocar um galho pequeno de erva fresca em meio litro de água e deixar ferver por quinze minutos. Desligue o fogo, tampe a vasilha e espere mais um minuto. Sinta o sabor e o aroma da erva fresca. É muito bom!
Coe e sirva com uma colher de mel, sempre que puder, evite o açúcar. Você pode usar o alecrim seco misturado a erva no chimarrão e no café na hora de coar, um pouquinho pra não alterar o sabor. O Alecrim também é muito usado para temperar carnes brancas, como o frango e peixes.
Ouça a rádio ao vivo: www.radiocom.org.br


"Partindo do pressuposto de que a comunicação é um direito de todos, a RádioCom 104.5 procura interferir na sociedade para transformá-la através de um processo plural, democrático e participativo na difusão das informações de interesse público. Queremos, através desse canal comunitário, mudar a concepção de comunicação social que existe na atualidade, onde o receptor tem pouca ou nenhuma interferência na construção da noticia. A informação deve pautar-se por interesses ligados a coletividade, procurando promover a inclusão social. Todas as ações promovidas pela RádioCom vão ao encontro da democratização da comunicação no Brasil, a qual se faz urgente. Somente assim, poderemos atingir uma sociedade verdadeiramente democrática e socialmente justa".

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Dá licença, eu, eu posso respirar?

Tantas possibilidades existem na minha frente e eu aqui, inerte. Respirando fundo olhando pra dentro de mim, pensando como vai ser, por onde começar e me perco, entro em pequenos caminhos, estranhos, encontro caminhos sem sentido, perco-me. Atrapalho-me pra retomar, parece um engasgo, parece que fico preso a alguma coisa que não sei o que é, tenho a sensação de que sou incapaz de fazer, de seguir. Tenho medos, muitos medos. Já fui mais corajoso, eu sei.
Sinto-me como um passarinho preso na gaiola. Tenho sempre que dizer o que estou pensando o que estou fazendo, como fiz, fiz assim porque, se já fiz. Sinto como se alguém estivesse me olhando todo o tempo, me vigiando, me supervisionando. Estou continuamente atento a relógios e tempos supostamente perdidos.
Choro baixo, não me altero, não esperneio, nem grito, tenho mantido a calma. Há tempos não quero mais histeria na minha vida, tento manter a ordem, mas minha cabeça não consegue se habituar a pensar tão preso, tão racional com tantos porquês. E isso não é ser irracional. Quero pensar por pensar, quero a liberdade de nada fazer, quero sonhar sonhos irrealizáveis, preciso tentar. Sinto-me preso, meu choro é contido, minha raiva, guardada. Sei que isso não faz bem, mas, ele diz que eu brigo demais por pequenas coisas, que critico demais, será? Dá licença, eu, eu posso respirar?
Daí que me calo, às vezes, dou sorrisos falsos, finjo não ouvir, não entender perguntas, que são muitas. Estou distante, me afasto de cobranças no olhar, evito o corpo, ando sem vontade de amor.
Como pode um pássaro há pouco tempo numa gaiola querer cantar? Ou será que a sabedoria do passarinho é maior que a minha e ele canta pra se sentir livre? Preciso aprender a viver nessa gaiola e reaprender a cantar. Alguém me ajuda?

sábado, 21 de maio de 2011

Minha casa virou uma fábrica de bolinhos

Huum... Cheiros diversos invadiram a casa, mexerica, banana, laranja, broa de fubá assando. Então, esta semana estive a preparar bolinhos e broas. A minha oficina de Memória Culinária irá acontecer na próxima semana, consegui o espaço do Sest/Senat através de uma nova amiga que trabalha na empresa. _Obrigada, Fabi!!_ e como não consegui apoio financeiro para bancar a oficina _tentei poucos e não tive respostas_ estive a vender bolinhos pra arrecadar fundos e disponibilizar os materiais necessários em ingredientes das receitas e papéis diversos para nossos caderninhos de receitas artesanais. As broas e os bolinhos de mexerica ficaram deliciosos e fofinhos. Vendi a produção quase diária a conhecidos e colegas dos cursos que estou frequentando aqui em Pelotas. E aí, fui divulgando a oficina, entregando o panfleto, mostrando o livro, batendo um papinho com tem disponibilidade pra tal.
Tenho transitado na área da educação, com a disciplina pro mestrado, nas artes visuais com as aulas de cerâmica e as artes cênicas, com o grupo aberto de teatro universitário que o Dan coordena. Em casa me delicio com a culinária e ainda encontramos um tempinho pra um filme e uma boa música. Ontem fomos ao show do Leandro Maia no Teatro Guarany. Teve ótimo! Muito bons os sons e as letras das canções, Leandro é um poeta cantador. Dan operou a luz, todos os amigos estavam por lá. Hoje pela manhã, fui a um workshop, panela e voz com os músicos Marcelo Delacroix e Andrea Cavalheiro. Divertido tirar som de uma frigideira e uma colher de pau e criar uma orquestra de objetos diversos...

Ai, ai, as artes... As vezes fico pensando como tem gente nesse mundo que não se sensibiliza com quase nada, que não é tocado por quase nada ou que não tem acesso a quase nada disso. Mas isso é longa história que daria outra boa postagem.
Sinto-me feliz passeando por todas as artes, feliz com a nova empreitada, cavando espaço pra vida nova aqui nessa terra tão distante da minha. Não é tarefa fácil.

Contei tudo isso pra divulgar a oficina aqui no blog! Tudo por uma boa causa, uma causa em que acredito e algo a que desejo me dedicar nos próximos tempos, aulas que estimulem a sensibilidade em torno da cozinha e da literatura e aí entram as receitas culinárias, as cartas, poemas, canções, trechos de filmes, histórias de família, tradições, memórias afetivas de comida, receitas passadas de geração pra geração, orais ou escritas em antigos cadernos amarelados pelo tempo.
Tempo de memória, tempo outro de vivenciar, trocar, reviver, relembrar.

A oficina de Memória Culinária será nos dias 23, 25 e 27 de maio, de 14 as 18:00, no Sest/Senat, que fica no bairro Três Vendas, na Av. Idelfonso Simões Lopes, 1026. Telefone pra inscrições: 3284-1835. São apenas doze vagas. Valor da oficina: R$ 40,00 com todo material incluído. Para adultos que se interessam por culinária, literatura, artesanato e uma boa prosa!
Ah, este é o nosso cartaz de divulgação da oficina.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A caminho do Sul

Já estamos descendo de mudança pro Rio Grande do Sul. Nosso Uninho está carregado com tanta coisa, roupas, objetos, eletrodomésticos, algumas louças, até um espelho antigo tá indo, tem tênis enfiado debaixo do banco, livros e vasilhas. Nossa primeira parada na estrada foi em um lugarzinho muito charmoso e gostoso chamado Grão da Terra ainda em Minas, na altura de Três Corações. Um café de bule cheiroso e encorpado acompanhou bem a broa de fubá – daquelas molhadinhas, com pedaço de queijo – e o pão de queijo também muuito bom! O espaço foi inaugurado há sessenta dias e Marlise, a proprietária é muito simpática no atendimento além de produzir boa parte das quitandas ofertadas; tem doce de abóbora com coco, doce de leite feito pela irmã, doce de figo, goiabadas de todos os tipos e o que me chamou atenção foi a carne de lata, daquelas que vovó tinha sempre em casa, guardada e conservada na gordura, só que lá no Grão da Terra, essa carne é vendida em potes de vidro. Adorei parar ali. Valeu, Marlise, obrigado pelas gostosuras das tradições mineiras. Sucesso pro seu empreendimento! Ah, tirei essa foto pra dar mais água no boca!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A força das águas

Arrumando as coisas e terminando umas encomendas agora a pouco no ateliê, assistia/ouvia Amor em quatro atos, programa da rede globo inspirado nas canções de Chico Buarque. A canção de hoje é aquela assim: te perdoo por me amares demais... por morreres de rir...te perdoo por me trair... Linda como quase todas as canções do Chico. Bom texto, mas, não prestei atenção de quem é a dramaturgia, enfim, gostei do que vi/ouvi. Mas o que me levou a escrever neste instante, já quase uma e meia da madrugada, foi sobre o que vi depois, no jornal da globo; as catástrofes na região serrana do Rio de Janeiro. Fiquei assustada, a sensação que me vem é de medo e também de desânimo; por causa da impotência, nada se pode fazer, eu cá na minha casa, com um certo conforto, segura, perto de mim está minha família e é tão triste, tão duro pra essas pessoas que perdem suas casas, parentes, amores, suas crianças. É desolador. A repórter diz o que muitas pessoas dizem também (minha mãe tinha falado o mesmo uns minutos antes): todo ano é a mesma coisa! Não, parece que está ficando pior. A força e o volume das águas está muito maior. A cena que vem logo após as explicações geológicas para o que está acontecendo com Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo (já andei de teleférico naquele morro que desabou) é do resgate de uma jovem senhora agarrada a um cachorro pretinho numa parte em tijolos do que parecia ser uma casa bem no meio da correnteza forte e imensa do rio santo antônio; ela segura firme o cão e os vizinhos da casa em frente na parte mais alta jogam pra ela uma corda e gritam, gritam pra ela se segurar na corda, meu deus...que desespero dá de ver essa cena; ela se agarra na corda e cai na água junto do cão, mas, ele é levado pela correnteza, ela fica firme na corda, se mantém lá e eles vão puxando, gritando o nome dela, ou apelido, não guardei qual é, até o alto da casa, salva. Paro pra pensar, pra chorar, pra pedir proteção, pra agradecer, pra questionar e escrever... pra seguir pensando juntos; será que a força das águas está mesmo maior? Por que? Como prevenir? O que fazem para orientar pessoas num estado de calamidade como esse? Posso ajudar em alguma coisa? Como? Estou em Minas... O que fica? Como ficam essas pessoas? Desespero, no desamparo.
Rememoro a cena final do programa com a canção do Chico; o marido traído busca a aliança que sua mulher deixou pra trás com o eventual amante, a cena fecha na mão agarrando a aliança e ele desce pro carro onde ela o espera, coloca a aliança novamente no dedo dela e eles se beijam deliciosamente.
E acabo ficando nesse lugar, do deleite, impotente, escapando da realidade.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Manifestando

Vi esta semana nos jornais locais a manifestação dos estudantes reivindicando o meio passe estudantil. Há tanto tempo não vemos manifestações estudantis(acho que desde os cara-pintadas contra o Collor)que achei louvável a ação. O meio passe ajuda com certeza aos estudantes, o problema são as exceções, os cambalachos que começam a aparecer para gente que não é estudante. Enfim, não tô aqui pra falar do infeliz jeitinho brasileiro de burlar as coisas, mas sim de dar um VIVA bem GRANDE aos estudantes que acabaram se juntando a manifestação de professores(em busca de melhores salários) na porta da prefeitura de BH e fizeram muito barulho, atrapalharam o trânsito com seus cartazes e braços para o ar.
Estamos precisando mostrar a nossa cara pra esses políticos!
É isso aí prefeito, já estamos invandindo a praça/praia da estação aos sábados pacificamente contra a sua proibição de realizar eventos de qualquer natureza por lá e torço pra que as manifestações como essas continuem.
O povo, digo, nós, precisamos acreditar no poder de nossa força e sair pra lutar contra essa politicagem que privilegia empresários poderosos, como empresas de ônibus e Angelas Gutierrez.
Se vai dar algum resultado tudo isso de fazer barulho e botar a boca no trombone não sei, sei é que a gente não pode ficar igual a burrinho de presépio abaixando a cabeça aceitando determinações governamentais que excluem e prejudicam a população.
VIVA aos estudantes, aos professores, aos produtores culturais e manifestantes de todas as áreas que defendem seus direitos e lutam por eles!

sexta-feira, 12 de março de 2010

bagatela

Mais tarde na mesma tv e em outro canal, passava um documentário sobre mulheres que estão ou estiveram presas por terem cometido o crime de furtar coisas em supermercados, lojas de cosméticos, farmácias, etc.
Putz, é uma meleca a justiça nesse nosso país. Uma delas ficou quase dois anos presa por ter tentado roubar dois pacotes de trakinas(um tipo de biscoito recheado) e um queijo. Outra foi parar numa solitária, nua, por vinte dias por tentar roubar um shampoo. Como pode? Que tipo de juiz é esse?
Um defensor público relata que houve caso de uma pessoa furtar um produto no valor de 1,67. É isso mesmo: um real e sessenta e sete centavos e essa ação judicial durou quase três anos! Tem gente que fica na cadeia dois anos por ter roubado um queijo enquanto há anos a bandidagem política tá solta por aí.
Até quando?

Entretenimento

Ontem a noite, estava no ateliê ouvindo música e pintando mas, depois de algum tempo me deu vontade de ligar a tv pra dar uma olhadinha no que passava naquele instante. Liguei e já diminuí o volume porque não iria prestar muita atenção mesmo... fui mudando de canal e parei na Rede Globo, estava passando a novela Viver a vida e a cena era de uma mãe histérica berrando com o filho adulto(um dos gêmeos da novela) que também a respondia firmemente e com cara a bem fechada. Como eu não estava ouvindo nada das falas deles, parei por uns instantes com a pintura e fiquei prestando atenção nos gestos, nos movimentos das mãos, nos olhares ofensivos, as bocas nervosas, um querendo engolir o outro. Em seguida, chega o outro filho da mãe histérica que diz alguma coisa pro irmão e os dois saem na porrada; socos, safanões, um tremendo arranca rabo e a camera volta na mãe que tampa os olhos e descontrolada, parece chorar.
Desliguei neste instante. Fiquei a pensar: claro que seus filhos vão sair no tapa e gritando um com o outro, olha só o exemplo: você berra sem parar com o dedo apontado no nariz de um adulto e quer que ele fique quieto e a respeite?
Por um momento esqueci que aquilo era uma novela. Mas, novela de tv não era pra ser entretenimento, diversão, passatempo? Que tipo de entretenimento é esse? ...

quinta-feira, 11 de março de 2010

Tô de volta

Ai,ai...voltei! Tava com saudade mas totalmente sem tesão e tempo pra escrever...Continuo tentando administrar melhor o tempo e o tesão pra escrever reapareceu. Talvez vocês notem um tom diferente nos textos, é que ando engasgada com coisinhas que acontecem e incomodam e vou guardando, sem nada comentar.
Tive ganas de escrever em alguns momentos mas achei que não caberia neste blog, que é tão cheio de ternura, de boas memórias, afeto, coisas de vó, culinária, delicadezas, literatura e otras cositas más.
Daí fiquei a pensar... Crio um outro blog? Pra falar destas pequenas e incômodas indignações ou escrevo por aqui mesmo? Demorei a me decidir, pensei no trabalho dobrado e no tempo enxuto e mais uma senha pra guardar...confesso que me deu uma preguiiiça, enfim, pensando bem mais e melhor, escreverei por aqui mesmo; reflexões, comentários, indignações que caberão direitinho na parte que chamo de otras cositas más...
Espero poder trocar ainda mais com vocês. Bjus.

quinta-feira, 26 de março de 2009

receita de família

Este texto é de uma grande amiga, que colaborou com duas receitas dentro do livro: a torta de limão que ela prepara desde criança e o drink mojitos, refrescante, com jeitinho de caipirinha.

Em uma sala de tv, acrescente pai, mãe e dois filhos. Teremos o que se pode chamar de família. Acrescente a gosto cachorro, barata e ratos, que podem morar ou não dentro do sofá.
Misture lentamente ódios antigos, pequenas mesquinharias e a mesma televisão de vinte anos, com a antena quebrada. Objeto de disputa, objeto de desejo de todos na casa.
A seguir reserve mãe na cozinha, filho no banheiro, filha no quarto e pai na garagem para depois juntá-los novamente na hora do jantar. Tudo pronto. Agora congele e vá degustando uma porção a cada dia.
Letícia Andrade

Ontem fui à feira

registros meus - 2014 - largo vernetti Ontem fui à feira.  Este texto foi escrito em 2014 quando eu ainda vivia em Pelotas e estava guar...