segunda-feira, 4 de julho de 2011

Chás quentinhos pra esses dias frios...

Essas sugestões de chazinhos, passei pra um novo e bom amigo aqui de Pelotas, Zé Luís, ele é jornalista e locutor na RádioCom, 104,5Fm que dia desses me pediu umas dicas de chás pros ouvintes da rádio na parte da manhã. Com esse frio, vai ser uma boa!
A RádioCom comemorou dez anos em junho e eu tive o prazer de participar dessa festa, levando bolinhos mineiros e um choconhaque divino, onde conheci o Zé Luis que adorou o bolinho de mexerica!
A RadioCom é uma rádio comunitária, construída coletivamente por sindicalistas, trabalhadores, artistas, pessoas que se dedicam à causa da luta pelo direito de cada um poder expressar-se. E eu estou adorando conhecer essa nova turma! Bejus a todos, AnaI, Didi, Vanessa, Zé Luis, Roger, Fábio e outros que ainda não conheço... E cuidem-se nesse frio úmido dessa terra! bebam chá! :)


CHÁ DE LIMÃO

Maravilha da natureza, o limão! O limão cura tudo! Enxaqueca, gripe, coriza, resfriado e muito mais. Prepare um chá de limão. Deve ser feito com um limão cortado em rodelas e meio litro de água. Deixar ferver bem, durante uns quinze minutos, tampar, deixar descansar um minuto, coar e tomar de uma a três xícaras ao dia. Pra dar mais sabor ao chá, adoce com uma colher de mel.
O melhor é não sair no frio após a ingestão do chá. Minha avó dizia que não se deve sair no frio com o peito quente!
E para aquelas pessoas que estão com uma gripe forte, esprema meio limão e misture com uma colher de mel e uma dose pequena de cachaça. Beba a noite antes de deitar. Dá um suadouro de acabar com qualquer gripe! No dia seguinte tu tá novo! Indicado somente pra adultos.

CHÁ DE ALECRIM

Alecrim, seu nome Ros marinus, vem do latim e significa: “ O orvalho que vem do mar”.
O Alecrim é alegria, faz bem ao coração, ao estômago e intestinos. Tira a angústia do peito! Basta colocar um galho pequeno de erva fresca em meio litro de água e deixar ferver por quinze minutos. Desligue o fogo, tampe a vasilha e espere mais um minuto. Sinta o sabor e o aroma da erva fresca. É muito bom!
Coe e sirva com uma colher de mel, sempre que puder, evite o açúcar. Você pode usar o alecrim seco misturado a erva no chimarrão e no café na hora de coar, um pouquinho pra não alterar o sabor. O Alecrim também é muito usado para temperar carnes brancas, como o frango e peixes.
Ouça a rádio ao vivo: www.radiocom.org.br


"Partindo do pressuposto de que a comunicação é um direito de todos, a RádioCom 104.5 procura interferir na sociedade para transformá-la através de um processo plural, democrático e participativo na difusão das informações de interesse público. Queremos, através desse canal comunitário, mudar a concepção de comunicação social que existe na atualidade, onde o receptor tem pouca ou nenhuma interferência na construção da noticia. A informação deve pautar-se por interesses ligados a coletividade, procurando promover a inclusão social. Todas as ações promovidas pela RádioCom vão ao encontro da democratização da comunicação no Brasil, a qual se faz urgente. Somente assim, poderemos atingir uma sociedade verdadeiramente democrática e socialmente justa".

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Rosa Guimarães



"O senhor ... Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão."

João Guimarães Rosa
Grande Sertão Veredas



segunda-feira, 27 de junho de 2011

Dá licença, eu, eu posso respirar?

Tantas possibilidades existem na minha frente e eu aqui, inerte. Respirando fundo olhando pra dentro de mim, pensando como vai ser, por onde começar e me perco, entro em pequenos caminhos, estranhos, encontro caminhos sem sentido, perco-me. Atrapalho-me pra retomar, parece um engasgo, parece que fico preso a alguma coisa que não sei o que é, tenho a sensação de que sou incapaz de fazer, de seguir. Tenho medos, muitos medos. Já fui mais corajoso, eu sei.
Sinto-me como um passarinho preso na gaiola. Tenho sempre que dizer o que estou pensando o que estou fazendo, como fiz, fiz assim porque, se já fiz. Sinto como se alguém estivesse me olhando todo o tempo, me vigiando, me supervisionando. Estou continuamente atento a relógios e tempos supostamente perdidos.
Choro baixo, não me altero, não esperneio, nem grito, tenho mantido a calma. Há tempos não quero mais histeria na minha vida, tento manter a ordem, mas minha cabeça não consegue se habituar a pensar tão preso, tão racional com tantos porquês. E isso não é ser irracional. Quero pensar por pensar, quero a liberdade de nada fazer, quero sonhar sonhos irrealizáveis, preciso tentar. Sinto-me preso, meu choro é contido, minha raiva, guardada. Sei que isso não faz bem, mas, ele diz que eu brigo demais por pequenas coisas, que critico demais, será? Dá licença, eu, eu posso respirar?
Daí que me calo, às vezes, dou sorrisos falsos, finjo não ouvir, não entender perguntas, que são muitas. Estou distante, me afasto de cobranças no olhar, evito o corpo, ando sem vontade de amor.
Como pode um pássaro há pouco tempo numa gaiola querer cantar? Ou será que a sabedoria do passarinho é maior que a minha e ele canta pra se sentir livre? Preciso aprender a viver nessa gaiola e reaprender a cantar. Alguém me ajuda?

sexta-feira, 3 de junho de 2011

OFICINA DE MEMÓRIA CULINÁRIA



Estamos em fase de divulgação de nova data e horários pra Oficina de Memória Culinária que desta vez, acho que vamos conseguir fechar uma turma!
Partilho com vocês o cartaz e abaixo segue uma receitinha bem leve, rápida de preparar e muito saborosa que fiz dia desses no almoço.

Preparei peixe assado com batatas e banana e também abobrinha italiana com maçã verde e passas. Pois é, comidinha saudável, mas depois, de sobremesa, comi duas colheres de doce de leite uruguaio...divino!
Ai, ai...nada de arrependimentos, senão, engorda duas vezes mais, só de culpa...rsrs...:D

Segue a receita da abobrinha:

1 abobrinha tipo italiana média lavada
1 maça verde média
Uma porção de passas
Meia cebola cortada em tiras finas
Queijo parmesão ralado grosso
Seis folhas de rúcula
Orégano para salpicar
Molho shoyu e Azeite para regar
Sal a gosto

Modo de preparo:

Partir a abobrinha ao meio no comprimento e depois,
fatiar em pedaços de 1cm de espessura. Fazer o mesmo
com a maçã, tirando a parte central dos caroços.
Preparar um refratário retangular ou
redondo, como preferir. Regue com azeite no fundo,
sem exageros. Vá colocando as partes de abobrinha e
maçã alternadamente até completar toda a tigela.
Coloque as folhas de rúcula por cima, regue com
molho shoyu, mais ou menos umas duas colheres de
sopa, salpique as passas, as cebolas fininhas, o
orégano com parcimônia e o queijo ralado.
Regue com mais um fio de azeite, cubra o
refratário com papel alumínio e leve ao forno
baixo por 30 minutos ou menos.

Comidinha pra dois!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

e a fabriqueta de bolinhos continua... no PIQUENIQUE CULTURAL



Neste fim de semana vou participar do Piquenique Cultural, um evento itinerante realizado nas praças de Pelotas com diversas atrações culturais; música, literatura, moda, teatro, artesanato, culinária, exibição de curta metragem, trocas, mapa astral, enfim, diversão e arte para qualquer parte...

Com isso e com o sucesso e apreciação dos colegas com os bolinhos e broas mineiras de fubá, lá estarei, mostrando um pouco mais das minhas artes culinárias y otras cositas mas!

Dia 29 de maio, a partir das 10:00 até as 18:00, na Praça da Alfândega no Porto, aqui em Pelotas!

Quem mora por aqui, vai ser um dia lindo, cheio de alegria e diversão e mais: é gratuito!!

sábado, 21 de maio de 2011

Minha casa virou uma fábrica de bolinhos

Huum... Cheiros diversos invadiram a casa, mexerica, banana, laranja, broa de fubá assando. Então, esta semana estive a preparar bolinhos e broas. A minha oficina de Memória Culinária irá acontecer na próxima semana, consegui o espaço do Sest/Senat através de uma nova amiga que trabalha na empresa. _Obrigada, Fabi!!_ e como não consegui apoio financeiro para bancar a oficina _tentei poucos e não tive respostas_ estive a vender bolinhos pra arrecadar fundos e disponibilizar os materiais necessários em ingredientes das receitas e papéis diversos para nossos caderninhos de receitas artesanais. As broas e os bolinhos de mexerica ficaram deliciosos e fofinhos. Vendi a produção quase diária a conhecidos e colegas dos cursos que estou frequentando aqui em Pelotas. E aí, fui divulgando a oficina, entregando o panfleto, mostrando o livro, batendo um papinho com tem disponibilidade pra tal.
Tenho transitado na área da educação, com a disciplina pro mestrado, nas artes visuais com as aulas de cerâmica e as artes cênicas, com o grupo aberto de teatro universitário que o Dan coordena. Em casa me delicio com a culinária e ainda encontramos um tempinho pra um filme e uma boa música. Ontem fomos ao show do Leandro Maia no Teatro Guarany. Teve ótimo! Muito bons os sons e as letras das canções, Leandro é um poeta cantador. Dan operou a luz, todos os amigos estavam por lá. Hoje pela manhã, fui a um workshop, panela e voz com os músicos Marcelo Delacroix e Andrea Cavalheiro. Divertido tirar som de uma frigideira e uma colher de pau e criar uma orquestra de objetos diversos...

Ai, ai, as artes... As vezes fico pensando como tem gente nesse mundo que não se sensibiliza com quase nada, que não é tocado por quase nada ou que não tem acesso a quase nada disso. Mas isso é longa história que daria outra boa postagem.
Sinto-me feliz passeando por todas as artes, feliz com a nova empreitada, cavando espaço pra vida nova aqui nessa terra tão distante da minha. Não é tarefa fácil.

Contei tudo isso pra divulgar a oficina aqui no blog! Tudo por uma boa causa, uma causa em que acredito e algo a que desejo me dedicar nos próximos tempos, aulas que estimulem a sensibilidade em torno da cozinha e da literatura e aí entram as receitas culinárias, as cartas, poemas, canções, trechos de filmes, histórias de família, tradições, memórias afetivas de comida, receitas passadas de geração pra geração, orais ou escritas em antigos cadernos amarelados pelo tempo.
Tempo de memória, tempo outro de vivenciar, trocar, reviver, relembrar.

A oficina de Memória Culinária será nos dias 23, 25 e 27 de maio, de 14 as 18:00, no Sest/Senat, que fica no bairro Três Vendas, na Av. Idelfonso Simões Lopes, 1026. Telefone pra inscrições: 3284-1835. São apenas doze vagas. Valor da oficina: R$ 40,00 com todo material incluído. Para adultos que se interessam por culinária, literatura, artesanato e uma boa prosa!
Ah, este é o nosso cartaz de divulgação da oficina.

domingo, 15 de maio de 2011

o dia das mães


O dia das mães passou e eu passei em Beagá com meu filho minha sogra e minha mãe. Por aqui não passei. Deixo uma homenagem tardia, talvez por acreditar que dia de mãe é todo dia, toda hora mesmo. Esta foto tiramos mês passado no nascer da lua cheia, maravilhosa!
Um beiju a todas nós! Felicidades e alegrias aos nossos filhos!

BOLO DE MEXERICA

Bolo de Mexerica

Você vai precisar de:
1 ovo
2 xícaras de farinha de trigo
1 xícara e meia de açúcar cristal
1 xicara de suco de mexerica
2 colheres de sopa de manteiga
1 colher de sopa de fermento
Facílimo de fazer:
Misture a gema junto com a manteiga e
com o açúcar e bata bem.
Acrescente a farinha de trigo e o suco de
mexerica e torne a bater. Bata a clara em
neve e coloque junto à mistura mexendo leve-
mente, nesse momento também deve-se
colocar o fermento em pó e misturar.
Asse em forno médio por vinte e
cinco minutos. Esse tempo pode variar de
acordo com cada tipo de forno. É bom acender
a luz do forno e acompanhar o crescimento
após os primeiros vinte minutos.

Você pode ainda preparar uma calda
simples de chocolate que se faz assim:
2 colheres de sopa de chocolate em pó
1 colher de sopa de açúcar
1 colher de manteiga
½ xícara de água
Leve ao fogo baixo e misture até ficar encorpada.
Coloque sobre o bolo quando estiver fora do forno.

Esta receita resolvi fazer dias atrás quando percebi a
fartura de mexericas disponíveis nas feiras e supermercados por aqui.
Estamos em época de mexericas. Aqui no sul se fala BERGAMOTA e
a receita que fiz hoje de tardinha usei as bergamotas que colhi daqui
do pomar que está carregadinho delas! O tipo carioca, de casca fininha
e sabor bem azedinho, cheia de sementes. Da outra vez, fiz a receita
com o tipo morgot, que é bem doce e de cor laranja bem forte, quase
vermelho, é linda quando a gente parte ao meio!
Ah, com as cascas fiz estas delícias aqui...mas deu um trabalhinho bom, viu?

Mexerica é uma boa fonte de vitamina C e também funciona como laxativo
devido as suas fibras.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Uma palestra

Acabo de chegar em casa após uma palestra. No recinto lotado com pessoas em pé, pelos corredores, gente no segundo piso só a ouvir pelas caixas de som, sem ver o palestrante. Mais ou menos 180 pessoas. Atentei pra uma coisa, oitenta por cento, mulheres. Pensei: é interessante observar isso, nós estamos tão ávidas, tão atentas assim por uma palestra, uma audição? Não, não pensei tudo isso, isso digo aqui, quero dizer, escrevo agora, o que disse foi: Nós, mulheres, estamos tão mais presentes e atentas, não é? Muito burburinho, muita conversa, até que a presidente da mesa pediu que fôssemos nos aquietando para darem início a palestra. Vagarosamente o silêncio aconteceu. Ele começou agradecendo a presença de todos e foi tirando de sua boca uma poesia linda, linda:

Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu...
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.

Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.


Mário Quintana, poeta das terras de cá. Os olhos já me enchiam de lágrimas...

E palestrou, palestrou...conflitos e desafios da modernidade, sim, estamos acelerados, sim, compramos mais do que necessitamos, sim, temos mais do que precisamos, fazemos cinco coisas ao mesmo tempo e ao final do dia, alguma coisa ainda ficou pra amanhã, sim, temos muito pra ser felizes e não somos. Pensei: desculpe-me, mas, eu sou feliz e agradeci por ser e estar ali ouvindo aquela palestra. Ouvir.
É necessário estar atento para mudar, é necessário caminhar junto com o tempo, com o nosso tempo, aquele em que se está inteiro, uma coisa de cada vez, e não nessa superficialidade e fugacidade. Precisamos de mais silêncio, estamos num mundo cheio de barulhos, ruídos. Que ironia, no mundo moderno, tão avançado, temos tecnologia pra nos facilitar a vida e ganharmos mais tempo, mas, não temos tempo...não dá tempo, estamos sempre atrasados... Ele palestrou, palestrou, fez citações diversas: onde desenvolve-se o amor não há medo... Olhai os lírios do campo...

Falou também dos excessos de alimentação, da necessidade biológica de prestarmos atenção aos sinais que o nosso corpo nos dá, de digestão e indigestão, de digerir também os pensamentos, dar tempo a eles, falou da necessidade de mudar certos hábitos que não nos fazem bem e insistimos muitas vezes em mantê-los e nos entupimos em remédios, enquanto, se mudássemos os maus hábitos, que nós sabemos quais são, o remédio talvez não fosse necessário. Consciência de cada um.
Uma consciência livre, contou uma história antiga de um rei arrogante e de um sábio bondoso que podia prever o futuro, da maldade humana, dos desenganos, das companhias ruins que estão em uma sintonia diferente da nossa e a gente permanece ao lado e perto delas, daqueles momentos que é necessário estar só consigo mesmo, só pra refletir um pouco, sem nada a fazer, nada mesmo, nada de tv, livro, celular, computador, nada, silêncio e você, um pouco todo dia. Porque não? Você pode.
Porque culpar-se? Porque temer? Nada vem para ti ao acaso. Nada. Tudo tem o seu tempo a sua hora. Aquieta-se. E terminou a palestra soltando de sua boca com firmeza leve palavras de Madre Tereza de Calcutá:

As pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas.
Ame-as mesmo assim.

Se você tem sucesso em suas realizações,
ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos.
Tenha sucesso mesmo assim.

O bem que você faz será esquecido amanhã.
Faça o bem mesmo assim.

A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável.
Seja honesto mesmo assim.

Aquilo que você levou anos para construir,
pode ser destruído de um dia para o outro.
Construa mesmo assim.

Os pobres têm verdadeiramente necessidade de ajuda,
mas alguns deles podem atacá-lo se você os ajudar.
Ajude-os mesmo assim.

Se você der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo,
você corre o risco de se machucar.
Dê o que você tem de melhor mesmo assim.


Bom, depois de escrever tudo isso, preciso dizer algo mais?
Ah, sim, esta palestra nos foi ofertada numa Casa espírita, uma casa fraterna, onde se pretende que as pessoas encontrem acolhimento, amor e um pouquinho de paz.

domingo, 17 de abril de 2011

Encantamento num domingo de chuva

Neste domingão com uma chuva que parece não querer parar, segue uma boa literatura pra aquecer e encantar...

"Em tardes de domingo, sempre muito longas e vestidas de sossego, a mãe se fazia crianças para os filhos.
Ao pé da escada, junto da porta da cozinha, estava o tanque. De cimento cinza, ele guardava a água fria que despencava do morro, escorregando dentro de bambus _ veias cristalinas. A umidade favorecia viver e crescer ali, musgos verdes, tapetes por onde pequenas formigas passavam, arrastando montes de folhas. Mesmo o olhar se sentia acariciado por veludo assim tão fino.
Com anilinas para doces a mãe coloria as águas do tanque, uma cor de cada vez, e mergulhava as alvas galinhas legornes em banho colorido: azul, verde, amarelo, vermelho, roxo. Em pouco tempo o quintal, como que por milagre, era pátio de castelo, povoado de aves _ legornes agora raras_ desenhadas em livro de fadas. Ficava tudo encantamento. Não havia livro, mesmo aqueles vindos de muito longe, com história mais bonita do que as que a mãe sabia fazer. Não era difícil para Antônio imaginar-se príncipe e filho de mágicos.
Quando o dia ameaçava esconder o sol, entre seios e montanhas, aquele inofensivo bando, filho do arco-íris que morava na cabeça da mãe, se empoleirava nos galhos das árvores, bailarinas em carnaval. Antônio olhava os galhos até não poder mais..."

Este pequeno trecho extraí de um livro apaixonante que sempre me vejo as voltas com ele: INDEZ, de Bartolomeu Campos Queirós.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Porque bateu saudade...



Essa fotos são da Escola Professor Jayme de Souza Martins. Fica em Itabirito, quem a dirige há vinte e cinco anos é minha tia Rosa, filha mais velha do Professor Jayme, meu querido avô, com quem troquei algumas cartas durante a infância, filósofo e educador durante toda sua vida. Esta turminha aí era a da tarde, quinto ano. Trabalhar nessa escola foi uma satisfação e uma alegria enorme pra mim. Por resgatar uma convivência familiar com meus tios e primos e por estar em contato com uma diversidade de crianças! Gosto muito de crianças, elas me emocionam, me cativam.
As salas da escola são de poucos alunos e a relação do professor é mais próxima o que nos faz estabelecer uma relação de afeto com eles, sentimento que me move/motiva e me faz acreditar na educação como um processo transformador. Não acredito numa educação distante deste tipo de relação. Sempre busco por isso, pelo olhar atento, por cuidar, pela simplicidade, pelo afeto. Não que isso não possa ocorrer em outras escolas e com turmas maiores. Ou que não exista educação sem afeto. Há, mas, encanta, transforma?
Eu até poderia desenvolver esse assunto mas, hoje, trouxe essas fotos e essa receita pra matar a saudade...
Foi a aula de Guacamole. As crianças do quinto ano estavam estudando e se preparando para a apresentação dos trabalhos sobre o continente americano e eu resolvi preparar junto deles uma receita típica do México. Como uma boa parte dos alunos adora salgadinhos empacotados(essas porcarias feitas de gordura hidrogenada muito sódio e farinha), o Guacamole poderia agradar já que tradicionalmente, ele é servido em tortilhas, que lembram os doritos da elma chips. Nem tudo é perfeito! Rsrsrs... Pedi a alguns que trouxessem pra aula os abacates, ingrediente principal da receita e para outros pedi os pacotes de salgadinhos. Teve um aluno muito especial, que trouxe também um potinho de pimenta, lembrando que no México eles gostam de comida bem temperada e apimentada.
Anotamos a receita, observamos a estrutura do texto, comentamos os cadernos de receitas das mamães, alguns comentaram sobre as receitas na TV e uma aluna chegou a falar do caderno de receita de sua avó, que fazia um pavê que ela adorava...
Num primeiro momento eles torceram o nariz pra receita de Guacamole, abacate com tomate? E cebola? Argh... a maioria adora vitamina de abacate ou abacate amassado com bastante açúcar! Aí foi a hora do Huuumm... quase geral na sala!
Durante a preparação, os olhinhos já estavam brilhando e as bocas salivando pra provar aquela mistura esquisita. E ficou muito bom! Levamos o Guacamole em outra sala pra turma de lá conhecer e provar também. Eles explicaram pros colegas quais ingredientes tinham ali e teve aluno que não quis provar, outro adorou o guacamole com pimenta e ficou com o rosto vermelhinho, porque abusou na quantidade dela e saiu correndo pra beber água...
No final do semestre, na apresentação do trabalho interdisciplinar que ficou superbacana, envolvendo toda a escola, refiz a receita pros pais e visitantes. Imprimimos a receita num papel amarelo em formato triangular lembrando o doritos e distribuímos pra quem quisesse preparar a receita em casa. Alguém pode perguntar, mas, a Junelise dá aula de quê mesmo? Pois é, minhas aulas pra essa turma eram de Literatura e Produção de texto!
Ah, segue a receita:

GUACAMOLE

Polpa de dois abacates médios maduros
1 tomate médio bem picadinho
1 cebola pequena ralada
1 colher de chá de sal
caldo de um limão

Amasse a polpa do abacate com um garfo e misture todos os ingredientes restantes. Tempere com sal aos poucos até ficar a seu gosto.
Sirva acompanhado de salgadinhos tipo doritos, que é feito de farinha de milho.
A pimenta é a gosto também.

Ontem fui à feira

registros meus - 2014 - largo vernetti Ontem fui à feira.  Este texto foi escrito em 2014 quando eu ainda vivia em Pelotas e estava guar...