quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

RECEITA DE BEM VIVER

Cá estamos instalados na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul. É aqui que eu e Dani vamos nos fixar por um tempo. Há oito anos juntos, ainda não tínhamos vivido de fato juntos sob o mesmo teto. Nova vida, novas perspectivas, um novo que soa estranho as vezes, partilhar de coisas e espaços. Tirando das caixas objetos e roupas, encontrei um pequeno banner que vai ficar num lugarzinho na cozinha, com uma receitinha importante pra vida da gente e diz assim:


RECEITA DE BEM VIVER


Ingredientes:

1 quilo de amor
1 dúzia de felicidade
3 xícaras de afeto
500 gramas de tolerância
200 gramas de compaixão
100 ml de carinho
1 pitada de sensibilidade

Misture tudo, deixe dobrar de tamanho e reserve.

Recheio:

1 xícara de alegria
200 ml de humor
1 colher bem cheia de ternura
100 gramas de delicadeza

Misture bem devagar e reserve.

Cobertura:

1 dúzia de sorrisos
1 pitada de luz

Coloque em fôrma untada com sonhos, recheie e ponha a cobertura. Asse no forno da vida a 380 graus por uma eternidade, de preferência, e pronto. Saboreie bem devagar e viva gostosamente Feliz.

Então, tentemos!!

O texto é de propriedade da Aurora Boreal, de Belo Horizonte, que fabrica banners e ímantados artesanais com textos graciosos e delicados como esse, infelizmente, não sei o nome do autor.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A caminho do Sul

Já estamos descendo de mudança pro Rio Grande do Sul. Nosso Uninho está carregado com tanta coisa, roupas, objetos, eletrodomésticos, algumas louças, até um espelho antigo tá indo, tem tênis enfiado debaixo do banco, livros e vasilhas. Nossa primeira parada na estrada foi em um lugarzinho muito charmoso e gostoso chamado Grão da Terra ainda em Minas, na altura de Três Corações. Um café de bule cheiroso e encorpado acompanhou bem a broa de fubá – daquelas molhadinhas, com pedaço de queijo – e o pão de queijo também muuito bom! O espaço foi inaugurado há sessenta dias e Marlise, a proprietária é muito simpática no atendimento além de produzir boa parte das quitandas ofertadas; tem doce de abóbora com coco, doce de leite feito pela irmã, doce de figo, goiabadas de todos os tipos e o que me chamou atenção foi a carne de lata, daquelas que vovó tinha sempre em casa, guardada e conservada na gordura, só que lá no Grão da Terra, essa carne é vendida em potes de vidro. Adorei parar ali. Valeu, Marlise, obrigado pelas gostosuras das tradições mineiras. Sucesso pro seu empreendimento! Ah, tirei essa foto pra dar mais água no boca!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011




O nome da senhora salva pelos vizinhos em São José do Rio Preto, é Ilair, que perdeu sua casa e seu cão pretinho levado pela enxurrada.
Vi estas imagens no yahoo notícias e quis deixar mais este registro.
Daqui, ficamos a pedir alento e amparo a estas famílias que perderam quase tudo. E muita força e união para a reconstrução dessas vidas.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A força das águas

Arrumando as coisas e terminando umas encomendas agora a pouco no ateliê, assistia/ouvia Amor em quatro atos, programa da rede globo inspirado nas canções de Chico Buarque. A canção de hoje é aquela assim: te perdoo por me amares demais... por morreres de rir...te perdoo por me trair... Linda como quase todas as canções do Chico. Bom texto, mas, não prestei atenção de quem é a dramaturgia, enfim, gostei do que vi/ouvi. Mas o que me levou a escrever neste instante, já quase uma e meia da madrugada, foi sobre o que vi depois, no jornal da globo; as catástrofes na região serrana do Rio de Janeiro. Fiquei assustada, a sensação que me vem é de medo e também de desânimo; por causa da impotência, nada se pode fazer, eu cá na minha casa, com um certo conforto, segura, perto de mim está minha família e é tão triste, tão duro pra essas pessoas que perdem suas casas, parentes, amores, suas crianças. É desolador. A repórter diz o que muitas pessoas dizem também (minha mãe tinha falado o mesmo uns minutos antes): todo ano é a mesma coisa! Não, parece que está ficando pior. A força e o volume das águas está muito maior. A cena que vem logo após as explicações geológicas para o que está acontecendo com Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo (já andei de teleférico naquele morro que desabou) é do resgate de uma jovem senhora agarrada a um cachorro pretinho numa parte em tijolos do que parecia ser uma casa bem no meio da correnteza forte e imensa do rio santo antônio; ela segura firme o cão e os vizinhos da casa em frente na parte mais alta jogam pra ela uma corda e gritam, gritam pra ela se segurar na corda, meu deus...que desespero dá de ver essa cena; ela se agarra na corda e cai na água junto do cão, mas, ele é levado pela correnteza, ela fica firme na corda, se mantém lá e eles vão puxando, gritando o nome dela, ou apelido, não guardei qual é, até o alto da casa, salva. Paro pra pensar, pra chorar, pra pedir proteção, pra agradecer, pra questionar e escrever... pra seguir pensando juntos; será que a força das águas está mesmo maior? Por que? Como prevenir? O que fazem para orientar pessoas num estado de calamidade como esse? Posso ajudar em alguma coisa? Como? Estou em Minas... O que fica? Como ficam essas pessoas? Desespero, no desamparo.
Rememoro a cena final do programa com a canção do Chico; o marido traído busca a aliança que sua mulher deixou pra trás com o eventual amante, a cena fecha na mão agarrando a aliança e ele desce pro carro onde ela o espera, coloca a aliança novamente no dedo dela e eles se beijam deliciosamente.
E acabo ficando nesse lugar, do deleite, impotente, escapando da realidade.