quarta-feira, 25 de abril de 2012

Pão cheiroso de parmesão e ervas


A receita de hoje que foi ao ar na ondas da Rádiocom 104,5FM aqui de Pelotas, Rio Grande do Sul, é de pão. Adoro fazer pães e bolos. Gosto de forno. Prefiro forno a fogão, acho que já disse isso aqui antes. Gosto de acompanhar o crescimento da massa, gosto dos cheiros.
Inspirada pelo show lindo que tive a oportunidade de ver ontem no bar Liberdade, da Sônia Porto, dentro da programação do Encontro Nacional de Mulheres da MPB, pensei em pães. A palavra companheiro vem do latim, cum panis, que significa seria com pão, ou ainda, aquele com quem dividimos o pão.
Um companheiro pra compartilhar o pão. O pão  nosso de cada dia, fresco e quente, saindo do forno, quem não quer partilhar? E depois que esse pão estiver cheirando no forno de sua casa, com certeza, será um convite para uma mesa no café da tarde, ou pra acompanhar um bom vinho no entrar da noite. Com azeites, queijos e pastas. Convide os amigos, a família,  e compartilhem!
Buon Apetit!

Pão cheiroso de parmesão e ervas

1 copo de 200ml de água
2 colheres de sopa de azeite de oliva
2 colheres de sopa de açúcar
4 colheres de queijo parmesão ralado grosso
1 colher de sopa de orégano
1 colher e meia (chá) de sal
1 colher e meia (chá) de alho em flocos
3 copos de farinha de trigo especial
2 colheres (chá) de fermento biológico seco instantâneo

Misture todos esses ingredientes em uma vasilha grande e misture bem com as mãos. Com todo carinho que uma massa dessas merece...depois de homogênea, bata um pouquinho, que pão também gosta de uns tapinhas pra crescer. Melhor do que dizer sovar. Eu acho...Rsrsrs...
Bom, depois, coloque em uma assadeira enfarinhada. Não precisa untar. Deixe crescer, se possível, mínimo de duas horas, e asse em forno quente por vinte minutos. Faça como eu e acompanhe o crescimento da massa, olhando pelo vidro.

Ah, e acesse também o link acima. Lá você irá encontrar toda a programação do evento que irá cobrir Pelotas de flores esta semana. São diversas atividades voltadas para a música popular brasileira com oficinas, palestras e shows ma-ra-vi-lho-sos! Confira, prestigie e compartilhe! 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dia mundial do Livro - Enloucresça - Drummond








"Enloucrescer.
Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passa debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de conto de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria. Se você não tem namorado(a) é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido."
 


Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 18 de abril de 2012

TORTA DE MAÇÃS

 
A maçã é um bom purificador do sangue para os que sofrem de gota, artrite, retenção de líquidos e problemas de pele. A maçã pode aliviar a indigestão, a acidez, a gastrite, a úlcera péptica e a síndrome do intestino irritável. Com sua ação adstringente, ajuda no tratamento da diarreia. A pectina da maçã ajuda a expulsar as fezes, fazendo dessa fruta um laxante eficaz para quem sofre de prisão de ventre.

Aqui no Rio Grande do Sul, a cidade de Vacaria na divisa do estado com Santa Catarina é grande produtora de maçãs. As feiras livres de produtores aqui em Pelotas já estão trazendo com fartura as maçãs de todos os tipos.
Segundo um antigo provérbio: "uma maçã por dia mantém o médico longe". Então, comamos maçãs!!!
Esta receita de Torta de maçãs, que levei ao ar hoje nas ondas livres da Rádiocom 104,5Fm, quem a preparava era minha avó Juracy para o tio Eduardo. Vovó era assim, agraciava os filhos com delícias em seus aniversários. Pra minha mãe, fazia torta de morangos, pro tio Euclides, um doce de coco, que ele denominava de Carícias da Juracy. E pro Tio Du, essa torta que deixava a casa num perfume maravilhoso!!! E dava uma vontade gostosa de comer uma fatia, o que a gente fazia pouco, porque vovó não me deixava comer, era do meu tio, só me dava um pedacinho pequeno....ai, ai, memórias....coisa boa lembrar esses momentos!

TORTA DE MAÇÃS

2 xícaras de farinha de trigo
1 xícara de açúcar
3 colheres de leite
1 colher de fermento em pó
1 ovo
2 colheres de sopa de manteiga
Para o recheio:
2 maçãs vermelhas cortadas em fatias finas
1 vidro de geleia de abacaxi
Canela em pó

Misture os ingredientes secos e acrescente, aos poucos, o ovo e a manteiga, trabalhando a massa até ficar fina. Num pirex quadrado, untado e enfarinhado coloque uma porção de massa, abrindo-o com os dedos no recipiente. Separe uma parte da massa para fechar a torta. Depois, o recheio: vá colocando uma camada de maçãs, geleia de abacaxi e outra de maçãs e geleia.Salpique canela em pó. Faça tiras estreitas com a massa reservada e feche a torta por cima formando uma grade. Asse em forno regular, mais ou menos, quarenta minutos.
Esta receita está no meu livro em homenagem às vovós Elisa e Juracy: Memória Culinária: Coisa de Vó.




Minha sugestão de acompanhamento a essa torta de maçãs é um bom chá de erva-cidreira no fim da tarde, sobre uma toalha de mesa clarinha, uma xícara de porcelana especial e flores.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Waly Salomão

E porque citamos e lemos Waly Salomão no Radiola Literária de hoje nas ondas da Rádiocom, trago pra cá uma pequena parcela de sua irreverência:


Novelha cozinha poética


Pegue uma fatia Theodor Adorno
Adicione uma posta de Paul Celan
Limpe antes os laivos de forno crematório
Até torná-la magra-enigmática
Cozinhe em banho-maria
Fogo bem baixo
E depois leve ao Departamento de Letras
Para o douto professor dourar




Waly Salomão


Buscando mais informações sobre esse poema, encontrei uma crítica literária que pareceu-me interessante, foi publicado originariamente na revista Cult em 2001 e retirei esta parte que nos basta por aqui:

Tais afirmações, tomadas ao pé da letra, são redutoras, e Waly sabia disso. Seu propósito foi questionar, valendo-se do exagero, a dissociação acadêmica entre poesia e vida, o desconhecimento do biográfico a pretexto de examinar a literatura em sua autonomia. 
Algo semelhante ao que, para tomar um exemplo de maior envergadura, o surrealista português Mário Cesariny fez em O Virgem Negra - Fernando Pessoa explicado às Criancinhas Naturais e Estrangeiras por M. C. V. (Assírio & Alvim, 1996) tripudiando sobre sua memória para mostrar que poesia é feita por gente de carne e osso, e não uma escritura em abstrato, um fenômeno exclusivamente da linguagem. 
O próprio Waly, no depoimento aqui citado, comentava um poema seu, Novelha cozinha poética, questionado por exibir anti-semitismo e mau-gosto (Por Manuel da Costa Pinto no jornal Folha de S. Paulo, Caderno Mais!, 02/07/2000, e por Suzana Scramin na edição aqui citada de Babel, ambas as vezes no contexto, esclareça-se, de observações favoráveis ao livro do qual faz parte, Tarifa de Embarque). Esclarece que o fez pegando um tipo de poeta que é totalmente biônico, fabricado nos departamentos de letras das universidades, absolutamente despido de qualquer experiência e se vangloriando disso. Meras estações repetidoras de esquemas, de professores, de departamentos de Letras. A referência à fatia de Teodor Adorno, à posta de Paul Celan e à limpeza dos laivos de forno crematório seria uma sátira aos que reproduzem idéias e estilo desses e de outros autores, sem terem passado, nem de longe, pelas mesmas experiências. 
Algo correlato ao que Roberto Piva diz neste poema: Dante/ conhecia a gíria/ da Malavita/ senão/ como poderia escrever/ sobre Vanni Fucci?/ Quando nossos/ poetas/ vão cair na vida?/ Deixar de ser broxas/ pra serem bruxos? (o poema está em Ciclones, republicado em Estranhos sinais de Saturno, Globo, 2008)


quarta-feira, 4 de abril de 2012

RECEITA DE BROA DE FUBÁ ou BOLO DE MILHO


A receita de hoje que foi ao ar nas ondas da Rádiocom 104,5Fm aqui em Pelotas, fiz ontem pra uma turma de colegas em uma disciplina para pós na Faculdade de Educação. Nossos encontros são inspirados e permeados pela leitura do livro: Uma história de leitura de Alberto Manguel, escritor argentino e um leitor fervoroso, que traz muitas referências de leitura e leitores nesse livro. O encontro de ontem foi no Ateliê de Cerâmica do Iad, espaço de criação e aulas do professor Paulo Damé, que gentilmente nos cedeu o espaço que nos acolheu maravilhosamente. Nossas leituras seguiram em torno do fogão: Fernando Pessoa, Eduardo Galeano, Marcel Proust e Bartolomeu Campos Queirós, chegaram aos nossos ouvidos  e o cheiro da broa invadiu o ambiente. Os olhos foram vendados com meias de seda e a degustação seguiu às cegas. A experiência foi no primeiro momento, silenciosa e depois, cheia de sabor e palavras. Um café foi passado na hora pra acompanhar o bolo de milho já com os olhos bem abertos! Foi uma delícia de encontro e a receita então, segue pra todos prepararem em suas casas e por que não, num outro momento de leitura com amigos e família? 

RECEITA DE BROA DE FUBÁ ou BOLO DE MILHO

Ingredientes
3 ovos
3/4 xícara de óleo de milho
1 e ½  de xícara de açúcar
1 xícara de farinha de trigo
2 xícaras de fubá de milho média
2 xícaras de leite
5 colheres de sopa de coco ralado
1 colher de sopa de erva-doce
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de sopa bem cheia de fermento em pó

Fácil de fazer:
Unte um tabuleiro ou um refratário e pré-aqueça o forno em fogo baixo.
Misture os quatro primeiro ingredientes; ovos, açúcar e óleo, misture bem.
Coloque os ingredientes restantes e misture até ficar uma massa mole.
Despeje no tabuleiro ou refratário e asse por trinta, quarenta minutos em fogo médio ou até dourar!
Acompanha bem um cafezinho passado na hora no fim da tarde. 

Pode-se utilizar o papel manteiga no refratário para facilitar! É só medir o tamanho e cortar com uma tesoura.