segunda-feira, 30 de março de 2009

Está no ar...

Pois é, meus queridos, cá está um espaço para boas memórias em torno da mesa, receitas de todos os tipos, literaturas tantas e o que mais nos vier.
Sejam bem vindos e provem todos os sabores.
Um beiju grande a todos,
Com carinho,
Junelise

quinta-feira, 26 de março de 2009

receita de família

Este texto é de uma grande amiga, que colaborou com duas receitas dentro do livro: a torta de limão que ela prepara desde criança e o drink mojitos, refrescante, com jeitinho de caipirinha.

Em uma sala de tv, acrescente pai, mãe e dois filhos. Teremos o que se pode chamar de família. Acrescente a gosto cachorro, barata e ratos, que podem morar ou não dentro do sofá.
Misture lentamente ódios antigos, pequenas mesquinharias e a mesma televisão de vinte anos, com a antena quebrada. Objeto de disputa, objeto de desejo de todos na casa.
A seguir reserve mãe na cozinha, filho no banheiro, filha no quarto e pai na garagem para depois juntá-los novamente na hora do jantar. Tudo pronto. Agora congele e vá degustando uma porção a cada dia.
Letícia Andrade

terça-feira, 24 de março de 2009

Uma boa pitada de Drummond

Uma das sedes de nostalgia da infância, e das mais profundas, é o céu da boca. A memória do paladar recompõe com precisão instantânea, através daquilo que comemos quando meninos, o menino que fomos. O cronista, se fosse escrever um livro de memórias, daria, nele, a maior importância à mesa da família, na cidade do interior onde nasceu e passou a meninice. A mesa funcionaria como personagem ativa, pessoa da casa, dotada do poder de reunir todas as outras, e também de separá-las, pelo poder de preferências e idiossincrasias do paladar - que digo? - da alma, pois é no fundo da alma que devemos pesquisar o mistério de nossas inclinações culinárias.

Esta gostosura de ler está no livro A bolsa e a vida.

quinta-feira, 19 de março de 2009

enchente das goiabas



Pois é, armou a chuva, o céu ficou negro, raios pelo céu, mas não choveu hoje, ao menos não aqui perto da minha casa. E diz que hoje é dia da enchente das goiabas. 19 de março. Amanhã começa o outono. Quem sempre me lembra dessas datas é minha mãe e a Rosaly falou também.

Rosaly Senra foi a responsável pela organização e seleção das receitas do livro Quitandas de Minas - Receitas de família e histórias. Uma delícia bem feita, com fotos de rara qualidade e bom gosto. Lá tem receitas de muitas quitandas e você irá encontrar algumas delas feitas com goiabas. Recentemente, numa viagem que fiz a Sorocaba, preparei uma geléia de goiabas com frutos fresquinhos, colhidos do quintal. Ficou tão boa que só durou dois dias. E de inspiração, escrevi pra Rosaly contando da feita.
Muito simples: Colha umas doze goiabas vermelhas médias, lave-as bem, descasque e pique. Coloque no liquidificador e bata por alguns minutinhos. Coe em uma peneira e leve ao fogo junto de uma xícara de açúcar cristal. Vá mexendo até começar a ver o fundo da panela. Despeje em uma vasilha de vidro e deixe esfriar. Gosto de geléia de goiaba passada em pão integral e uma fatia fina de mussarela. Hum...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Doce de abóbora com coco



Torta de abóbora com canela e gengibre é um prato para quando se está triste. Faça primeiro uma massa com uma xícara (de chá) de farinha de trigo, meia de margarina, três colheres (de sopa) de água fria e um pouquinho de sal marinho moído. Para o recheio, meio quilo de abóbora cozida, creme de leite fresco, dois ovos, gengibre ralado, açúcar mascavo, canela em pó e noz moscada. Ponha ainda dez cravos-da-índia. abra a massa em uma assadeira e encha com o recheio, colocando tudo no forno por exatos trinta e cinco minutos e meio. Um conselho: coma a torta com sorvete de natas em um prato vermelho.

Este texto saboroso faz parte do livro de Maria Esther Maciel, professora na Letras e autora deste: O livro de Zenóbia e de outros bons textos. Zenóbia gosta de cozinhar e suas receitas são pura poesia.

Doce de abóbora com coco

Descasque uma abóbora tipo moranga e cozinhe em água com uma colher de açúcar. Depois, amasse a abóbora com um garfo e coloque-a em uma panela para cozinhar junto com uma xícara e meia de açúcar e um pacote pequeno de coco ralado. Vá mexendo bem. Cuidado para não se queimar! O doce espirra. Quando começar a desgrudar do fundo da panela, já está pronto. Acrescente alguns cravos da índia e mexa. Depois de frio, coloque em uma bonita compoteira, salpique canela em pó e leve para gelar.

Este doce está nas receitas de memória. Era Vovó Juracy que fazia, delicioso! É fácil de fazer, o difícil é descascar a abóbora, com aquela casca verde e dura. Descobri uma maneira mais fácil: Cozinho com casca e tudo e depois tiro a polpa com uma colher.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Cheiro de ervas


Ainda falando em ervas, tenho uma amiga que me ensinou a gostar delas. Patrícia tinha várias plantadas em seu quintal e quando eu dormia por lá, no café da manhã, as ervas eram colhidas na hora e, misturadas no bule de água quente, deixavam um delicioso aroma pela casa. Patrícia gostava de misturar hortelã com capim limão. Tem efeito calmante, deixa a gente zen...

Curiosidades: O capim limão foi trazido para o Brasil no período colonial e tem folhas longas e afiladas, é confundido com a erva-cidreira, por ter um aroma muitíssimo parecido, também chamado de capim cidreira ou cidrão. A erva cidreira é originária do mediterrâneo, tem as folhas ovaladas e serrilhadas, com flores brancas e rosadas e seu nome científico é melissa officinalis. Tem gente das antigas, algumas vovós que conheci, que chamam cidreira de melissa. Será que elas já sabiam do nome científico? Vai ver elas já aprenderam assim...

Já estou com vontade de preparar um chazinho antes de dormir...
O amor perfuma a vida, os aromas restauram os
encontros e as cintilações

Esta citação coloquei junto ao monte de cebolinhas. Está no livro Os cinco sentidos de Michel Serres, no capítulo intitulado {mesas}.

sentidos

Ontem fui à uma palestra do estilista Ronaldo Fraga. Ele é de fato, muito bom! Falou tantas coisas boas e quase não falou de roupas... Porque a moda pra ele é narrativa. Adorei quando ele disse isso. Eu, que apesar de mineira, conheço pouco de Ronaldo Fraga, e não sou tão ligada em moda, vejo algumas coisas na internet ou na TV, percebi naquele discurso uma figura muitíssimo antenada com o mundo, com a cultura, com as pessoas. Moda pra ele é ouvir as histórias... Em seu último desfile, trabalhou com um casting diferente: Idosos. Pessoas com mais de 65 anos e crianças. As crianças gostam de ouvir histórias, os mais velhos gostam de contar histórias. E os de cabelos brancos desfilaram com extrema elegância e estilo na passarela. Lindos.

Ele citou Saramago e a nossa cegueira diária. Enxergando mal, sentimos menos também (não sei quanto à vocês, mas, eu quando tiro os óculos, escuto mal...rs,rs), ou não. Aguçamos os outros sentidos. Sensibilidade. Há que se explorar.

Michel Serres, filósofo dos corpos misturados, em seu livro: Os cinco sentidos, diz assim: Líamos em nossos manuais: não há nada no intelecto que não tenha passado antes pelos sentidos. Ouvimos em nossa língua: não há nada na sapiência que não tenha passado pela boca e pelo gosto, na sapidez. Há que se refletir.

Quer comentar? Acho esse assunto tão bom, dos sentidos; dos gostos, cheiros, ruídos, olhares e mãos... Comente...