segunda-feira, 29 de junho de 2009

receita de doce de abóbora da vovó

Esta receita quem preparava era minha avó Juracy. Ficava tão bom... Geladinho então...Pra comer de colher, ai ai..
Está também no meu livro na primeira parte, das receitas de memória, é coisa de Vó e facílimo de fazer:

DOCE DE ABÓBORA COM COCO

Descasque uma abóbora tipo moranga, pique em pedaços grandes e cozinhe em água com uma colher de açúcar. Depois amasse toda a abóbora com garfo e coloque-a numa panela para cozinhar junto com uma xícara e meia de açúcar e um pacote pequeno de coco ralado. Vá mexendo bem. Cuidado para não se queimar! O doce espirra. Quando começar a soltar do fundo da panela, já está pronto. Acrescente alguns cravos da índia e mexa. Depois de frio, coloque em uma vasilha de vidro redonda, salpique canela em pó e leve para gelar.

Dou uma dica: A abóbora tipo moranga, de casca verde e grossa é bem difícil de partir. Daí que eu cozinho as metades e tiro a polpa com a colher. Facilita bastante.

Aqui em Minas os doces das boas quitandeiras são preparados em enormes e maravilhosos tachos de cobre. Vovó não tinha tacho e o doce era bom assim mesmo.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Com certeza, Leda Nagle

Fui ao lançamento do livro Com certeza da Leda Nagle, no projeto sempre um papo, que traz figuras bacanas para compartilhar suas experiências literárias ou não, num bate-papo descontraído, quase sempre. Leda é sorridente e bem humorada, falou de suas entrevistas, das curiosidades, das situações engraçadas, do desejo em informar os telespectadores sobre diversos assuntos e de fazer isso bem. E ela o faz, com certeza.

Em julho de 2007, fui convidada pela produção do Sem Censura(através de um contato que fiz por e-mail) a levar meu livro e apresenta-lo no dia das vovós, dia 26 de julho, dia de Santana, avó de Jesus Cristo, informação esta que fiquei sabendo minutos antes de entrar para a gravação. O programa foi gravado pois estávamos na semana dos jogos olímpicos. E a Leda me recebeu muito carinhosamente, conversamos sobre afetos em torno da cozinha, sobre família e confraternizações, sobre artesanato e, claro, sobre as delícias de ter uma avó, no meu caso, duas e a importância que essas figuras tem na vida da gente e como elas tornam nossas vidas mais saborosas. Passei receita de doce de abóbora e voltei pra Beagá feliz da vida e agradecida a Deus por ter o privilégio destes momentos.

Hoje, repetimos o abraço carinhoso e ela se lembrou do meu livro: Aquele livro lindo!
Brigadu, Leda, ele é lindo mesmo, você também. Que Deus te conceda muitos anos mais de entrevistas. Parabéns!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

o maracujá no meu jardim

Pois então, fiquei de contar a vocês do maracujá em meu jardim. Aí vai:


Aqui em casa tive um pé de alecrim ma-ra-vi-lho-so! Tive, porque ele morreu. Foi ficando sufocado com o também maravilhoso e espaçoso maracujá. Pois é, deu maracujá no meu jardim! Amarrei arames para ele crescer e ia ajudando colocando os galhos para o alto. Cresceu tanto que fiz uma espécie de caramanchão sobre a mesa do canto.

Colhi diversos frutos, fiz sucos, mousses e molhinhos para salada, congelei pra depois utilizar, distribui para amigos, enfim, foi uma fartura de maracujás. Tenho fotos dele. Deles. Eram dois pés que brotaram de tanto eu fazer adubo orgânico pro meu jardim com cascas e sementinhas... Só que começou a dar muitos bichos esquisitos. Vou explicar: O maracujá costuma dar muitas lagartas que depois viram borboletas laranjas muito lindinhas.(vou ter que abrir um parentesis aqui: enquanto eu não percebi a presença das lagartas nas folhas, eu achava que as borboletas vinham passear por aqui por causa das flores...só depois, que as lagartas apareceram em enorme quantidade é que juntei as coisas) Fico encantada com a natureza...sou mesmo uma boba...
Além das borboletas cor de laranja, surgiram besouros enormes, uma espécie de barbeiro vermelho e formigas com bundas douradas. Ah, vinham também as vespinhas, mas essas são responsáveis pela polinização das flores e estão ficando cada vez mais raras. Descobri que existem plantações de maracujás que terceirizam mão-de-obra para polinizar as flores: as pessoas usam uma espécie de cotonetes nos pistilos para polinizar!

Confesso que quando vi aquele bicho estranho, parecido com um barbeiro vermelho, tive um nojo tremendo e foi aí que a vontade de cortar o maracujá surgiu. É, tive que cortar... usei fumo de rolo em água morna pra caramba e não funcionava, enfim, fiquei sem meu alecrim e sem o maracujá. Mas curti muito aquelas flores exuberantes em meu jardim.Foi bom enquanto durou.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

um filete da literatura de Pessoa

O olfacto é uma vista estranha. Evoca paisagens sentimentais por um desenhar súbito do inconsciente. Tenho sentido isto muitas vezes. Passo numa rua. Não vejo nada, ou antes, olhando tudo, vejo como toda a gente vê. Sei que vou por uma rua e não sei que ela existe com lados feitos de casas diferentes e construídas por gente humana. Passo numa rua. De uma padaria sai um cheiro a pão que nausea por doce no cheiro dele: e a minha infância ergue-se de determinado bairro distante, e outra padaria me surge daquele reino das fadas que é tudo que se nos morreu. Passo numa rua. Cheira de repente às frutas do tabuleiro inclinado da loja estreita; e a minha breve vida de campo, não sei já quando nem onde, tem árvores ao fim e sossego no meu coração indiscutivelmente menino. Passo uma rua. Transtorna-me, sem que eu espere, um cheiro aos caixotes do caixoteiro; ó meu Césário, aparece-me e eu sou enfim feliz porque regressei, pela recordação, à única verdade, que é a literatura.

Fernando Pessoa - O livro do desassossego.

domingo, 14 de junho de 2009

caldos quentinhos e sopas

Pois é, a temperatura caiu um bocado por aqui. Os casacos de lã já estão fora do armário tomando um ar(ninguém aqui tá querendo uma rinite alérgica)e os edredons já estão no uso há dias, comprei recentemente uma meia de lã fofíssima! Na cores lilás e marrom com direito a uma florzinha em feltro nas laterais. Um charme para aquecer os pés e mais um detalhe: vem com um emborrachado embaixo pra gente poder andar de meia e não escorregar. Pode? Amei:)

Tempo frio combina com caldos quentinhos e ontem convidei bons amigos para um caldo aqui em casa, assim, meio de improviso, só o caldo de abóbora que já estava em mente. Tinha feito uma panela cheinha dessa delícia alaranjada que iria durar na geladeira e daí pensei no caldo, já famoso aqui em casa e na casa de uma amiga, que me ensinou a preparar este manjar dos deuses. Do caldo de abóbora dou a receita depois, hoje só quero sugerir esta outra delícia que preparei:

sopa de macarrão com feijão. UAU! Nunca tinha feito e arrisquei. Tão simples e ficou tão saborosa! Comprei macarrão de conchinha e uma linguiça calabresa. Já tinha bacon e feijão cozido na geladeira. Muito bem, fritei o bacon com cebolas em lascas pequenas e a calabresa em cubinhos(rodelas partidas em quatro).Coloquei água fervendo e o macarrão. Misturei, abafei e deixei cozinhar um pouquinho. Adicionei o feijão, fui mexendo e botando mais uns temperinhos, uma páprica picante, um caldo de carne...mais uns minutinhos em fogo baixo e pronto.
Esquentamos a alma com a boa conversa entre sorrisos e amigos e nutrimos nosso corpo com abóbora e feijão. ô mistura boa essa!

Lembrei de minha avó Juracy que gostava de sopas de macarrão. Fui parar lá na infância na mesa de um hotel em Araxá que servia antes do jantar um prato de sopa, uma manteiga em pote de porcelana pequeno e um pão francês já fatiado... Tenho boas memórias de nossas viagens e saudades também.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O rizoma chamado Gengibre

Semana passada fiquei rouca, muito rouca, até ficar sem voz num dia inteirinho. Não sou muito de remédios e tenho uma tendência a chás e remedinhos naturais. Começei tomando gotas de própolis (que é super amargo...), mel, chá de hortelã(a hortelã gosto de comprar fresca e deixo desidratar em saco de pão) coloquei mais alho na comida mas não tava adiantando. No jardim aqui de casa, que é um jardim suspenso já deu tomate, maracujá e tem uma laranjeira crescendo também. Do maracujá conto pra você depois que foi muito bacana, hoje quero mesmo é falar do gengibre, esta raiz, um rizoma que é hiperbenéfico pra saúde e me livrou da rouquidão. Colhi do meu jardim! Foi minha mãe que observou a flor daquela folhagem e eu nem tinha me dado conta, já nem lembrava de quando coloquei na terra um pedaço de gengibre, esperando que brotasse. E brotou. Foi fácil tirar da terra, já estava quase todo do lado de fora e bastou mexer um pouco pra ele sair inteirinho. Taí a foto dele. Gente, acho tão bacana quando posso colher algo do meu jardim! Bom, depois dei uma boa lavada e fiz primeiro um chá, que é perfumadíssimo! Depois fui comendo pequenos pedaços durante dois dias seguidos. Curei minha rouquidão!



Veja a quantidade de benefícios do gengibre: é anti-inflamatório, antioxidante, ajuda a tratar enjôos, combater infecções, prevenir doenças cardiovasculares, é auxiliar no emagrecimento, para tratar flatulências e impedir a formação de gases.
Bom para combater constipações e resfriados: Ferver 2 pedaços de raiz fresca de gengibre, durante 10 minutos e adoçe com mel.
As propriedades estimulantes do gengibre devem-se à vitamina B3, B6 que alivia sintomas de tensão pré-menstrual e a vitamina C que ajuda a proteger as gengivas e a defender o organismo dos radicais livres.
Quer mais?

O gengibre tem ação bactericida, é desintoxicante e acredita-se também que possua poder afrodisíaco. Suas propriedades afrodisíacas e estimulantes são conhecidas há séculos. Na medicina chinesa tradicional, por sua reconhecida ação na circulação sangüínea, ele é utilizado contra a disfunção erétil. Além disso, o óleo de gengibre também é utilizado para massagear o abdomem, provocando calor ao corpo e excitando os órgãos sexuais.

De sabor picante, pode ser usado tanto em pratos salgados quanto nos doces e em diversas formas: fresco, seco, em conserva ou cristalizado. O que não é recomendado é substituir um pelo outro nas receitas, pois seus sabores são muito distintos: o gengibre seco é mais aromático e tem sabor mais suave. Gengibre é quem dá um sabor especial e aquece a bebida das festas juninas, o delicioso quentão:



Ingredientes:

600 ml de cachaça
600 ml de água
Cascas de duas laranjas
Cascas de um limão
50 gramas de gengibre ralado ou em pedaços pequenos
Cravo da Índia a gosto
Canela em pau a gosto
1 maçã cortada em cubinhos

Modo de preparar:

Em uma panela grande coloque o açúcar, as cascas de laranja e limão e o gengibre.
Quando o açúcar estiver derretendo adicione a cachaça e a água, deixando cozinhar por mais ou menos 25 minutos em fogo médio. Coloque os cravos da índia e a canela em pau e deixe no fogo baixo. Em seguida, coe e coloque os pedacinhos de maçã. Mantenha em fogo baixo após o preparo.

Sucesso absoluto nas barraquinhas!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

600 visitas!

Que delícia, inteiramos 600 visitas hoje! Fico imensamente feliz com o passeio de vocês todos por aqui. Este espaço é destinado aqueles que gostam de boa comida, de artes e literatura. Segue então uma receitinha e um pequeno texto pra nós, já que um pouquinho de arte quase todos que passam por aqui já fazem:)
Ah, e querendo partilhar, melhor ainda. O blog memoriaculinaria existe pra isso, pra quem gosta e pra quem deseja compartilhar estes prazeres! Falando em prazer, a receita que se segue está no capítulo 3 intitulado: A pele, no livro de Márcia Frazão, amor se faz na cozinha. Pra começar a entrar no clima de dia dos namorados, tá? Bjus:)

NÉCTAR DE AFRODITE
Ingredientes
8 filés de peito de frango
2 colheres de sopa de farinha de trigo
2 ovos
200 gramas de castanha de caju, tostadas e picadas
3 mangas(rosa) fatiadas
manteiga, sal e pimenta do reino a gosto
Modo de fazer
Tempere os filés de frango com sal e pimenta do reino. Depois passe-os na farinha de trigo e, em seguida, nos ovos batidos e nas castanhas picadas. Se for necessário, use mais farinha, ovos e castanhas para empanar os filés. Frite-os na manteiga, tendo cuidado de doura-los uniformemente. Retire os filés da frigideira e mantenha-os quentes. Passe as fatias de manga na frigideira que já foi utlizada para a fritura dos filés, mas, apenas ligeiramente, só para esquentá-las. Arrume os filés numa travessa bem bonita e coloque as fatias de manga sobre eles.

MODO DE INSINUAR
No terceiro dia de lua cheia, Vera costumava preparar esse prato para o amado. Dizia que ele tinha o dom de jorrar os líquidos do amante e transforma-lo num bichano ávido por carícias.Antes de servi-lo, ela o incrementava com um delicado ritual. Enchia uma enorme bacia prateada com água, uma xícara de chá de mel e dois litros de leite de cabra. Depois se banhava com esta mistura, perfumava-se com água de laranjeira e vestia um vestido cor-de-rosa. Calçava suas sandálias e depois colocava os filés numa marmita. Saía rebolando o mar nas ancas, deixando no ar um cheiro de maresia. Só voltava no dia seguinte. Dessa vez, trazendo o aroma de uma mangueira em flor...
Decore o ambiente com flores de laranjeira(se não as conseguir, substitua-as por óleo essencial de flor de laranjeira), rosas rosadas e velas brancas. Espalhe mangas e rosas sobre a mesa e, se tiver a sorte de consegui-los, jante ao som dos discos de Carlos Gardel.


Depois, nem me contem...